Trutis mantém ataque à PF e diz que ação no STF vai permitir defesa

Por unanimidade, os ministros votaram para julgar o deputado federal por forjar um atentado a ele e um assessor em 2020

Agora réu por forjar a própria tentativa de homicídio, Loester Trutis (PL-MS), reforçou nesta terça-feira (16) que os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) foram “induzidos ao erro” pela investigação feita pela Polícia Federal de Mato Grosso do Sul. O deputado federal garantiu que essa será a “primeira grande oportunidade” para se defender das acusações.

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Deputado Loester Trutis, que agora é réu em inquérito por forjar atentado (Foto: Facebook)

A decisão em julgar Trutis pelos crimes de comunicação falsa de crime, porte ilegal de arma de fogo e disparo de arma de fogo, foi definida às 23h59 dessa segunda-feira, dia 15 de agosto. A primeira a se manifestar sobre o caso foi Rosa Weber, relatora do processo. Ela defendeu que o deputado tentou explorar o episódio politicamente “para promover bandeiras como porte de armas e a autodefesa por civis”. Os outros dez ministros concordaram com ela.

Diante da decisão, Trutis afirmou que está tranquilo e que vê na ação a primeira oportunidade de se defender. Em nota enviada a imprensa, ele manteve o discuso usado desde o dia em que foi acusado de forjar o atentado: as investigações da Polícia Federal foram falhas e induziram os ministros ao erro.

“Sustentamos e provaremos que o delegado responsável pelo inquérito tentou induzir os ministros a erro, e impossibilitou a ampla defesa ao inviabilizar a produção de provas, tendo liberado o veículo e permitido a formatação do GPS, fazendo assim, com que informações importantes sobre o incidente se perdessem, o que inviabiliza qualquer forma de escrutínio”.

Ainda conforme o deputado, a própria relatora do processo, afirmou que com o julgamento, “em ambiente contraditório e em paridade de armas”, as provas demostradas no inquérito policial poderão ser confrontadas com os indícios do crime reunidos pela sua defesa. “Reafirmo: agora, na Justiça, terei essa grande oportunidade para me defender”.

“Continuo firme com os propósitos do meu mandato de deputado federal, como o parlamentar que mais trouxe recursos para a segurança pública de Mato Grosso do Sul, e que não tem medo de enfrentar criminosos. Também continuarei trabalhando por todos os municípios de Mato Grosso do Sul, como têm comprovado os prefeitos e entidades beneficentes”.

Na justiça

Em fevereiro de 2020, Trutis afirmou que foi vítima de uma “emboscada” na BR-060 enquanto seguia para agenda política. Ele estava em um carro conduzido por um assessor, quando foi alvo de disparos.

Depois disso, o próprio deputado postou imagens do carro nas redes sociais e foi direto à Superintendência da Polícia Federal, onde formalizou a denúncia de suposta tentativa de homicídio. Durante a investigação, no entanto, Trutis passou de vítima para investigado. Perícias confirmaram que toda a história havia sido forjada por ele.

Diante disso, a Procuradoria-Geral entrou com pedido para que o deputado respondesse pela “simulação” da tentativa de homicídio. Na época, o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, defendeu que Loester tentou explorar politicamente o fato, uma vez que fez diversas postagens relacionando o falso atentado com a bandeira do armamento.

A votação para saber se o depurado seria julgado ou não pelo caso, começou no dia 5 de agosto e terminou nessa segunda-feira (15). Os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques, Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, acompanharam o voto da relatora.

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Confira a nota na íntegra:

“Recebo com tranquilidade a decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal. É a primeira grande oportunidade que terei para me defender.

É importante esclarecer que a aceitação da denúncia está muito distante de significar qualquer comprovação de culpa. Ao contrário, é o início da nossa defesa. Temos plena confiança na Justiça, a qual acreditamos que atuará sem qualquer tipo de ativismo, para que os fatos sejam realmente esclarecidos.

Sustentamos e provaremos que o delegado responsável pelo inquérito tentou induzir os ministros a erro, e impossibilitou a ampla defesa ao inviabilizar a produção de provas, tendo liberado o veículo e permitido a formatação do GPS, fazendo assim, com que informações importantes sobre o incidente se perdessem, o que inviabiliza qualquer forma de escrutínio.

A própria ministra Rosa Weber, relatora do processo, afirma que as provas produzidas até agora “dão suporte à narrativa da denúncia”, e que agora, “em ambiente contraditório e em paridade de armas”, elas poderão ser confrontadas com as provas e argumentações defensivas que apresentaremos.

Espero de parte da imprensa de Mato Grosso do Sul, que reserva grande espaço para acompanhar todos os passos da narrativa da acusação, também nos dê espaço semelhante para que possamos nos defender, e cumpra os princípios do bom jornalismo, permitindo também o contraditório e a busca da verdade. Reafirmo: agora, na Justiça, terei essa grande oportunidade para me defender.

Continuo firme com os propósitos do meu mandato de deputado federal, como o parlamentar que mais trouxe recursos para a segurança pública de Mato Grosso do Sul, e que não tem medo de enfrentar criminosos. Também continuarei trabalhando por todos os municípios de Mato Grosso do Sul, como têm comprovado os prefeitos e entidades beneficentes”.

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