Vereador de Pedra Preta pede desculpas e afirma que declarações foram mal interpretadas
O parlamentar esclareceu que suas palavras tinham caráter geral, voltadas à forma como líderes e figuras públicas se aproximam da população em períodos de campanha.
Após ser acusado de violência política de gênero, o vereador Gilson José de Souza, de Pedra Preta (União), se retratou publicamente pelas críticas feitas à prefeita Iraci Ferreira de Souza durante sessão da Câmara Municipal.
Na última segunda-feira (25), o parlamentar chegou a chamar a gestora municipal de “cachorra viciada em votos”, durante discussão em torno do projeto de lei que previa antecipação de R$ 460 mil de reserva de contingência do caixa do município para custear eventos culturais.

Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira (27), o parlamentar esclareceu que suas palavras tinham caráter geral, voltadas à forma como líderes e figuras públicas se aproximam da população em períodos de campanha, e não tinham a intenção de atingir pessoalmente a prefeita.
“Reconheço que, caso minhas colocações tenham sido interpretadas de maneira diversa e tenham causado desconforto ou ofensa à Prefeita, manifesto meu sincero pedido de desculpas, reafirmando meu respeito pela pessoa da Prefeita e pelo cargo que ocupa”, disse.
Gilson reforçou ainda que sua atuação parlamentar sempre será pautada pelo respeito às instituições, às autoridades constituídas e à população que representa.
A retratação surge em um contexto de debates sobre violência política de gênero, após críticas de cidadãos e organizações locais que classificaram as declarações do vereador como inadequadas e prejudiciais à imagem da prefeita.
Manifestações de repúdio
As declarações do vereador desencadearam uma onda de repúdio em Mato Grosso. A fala, considerada violência política de gênero, repercutiu entre autoridades estaduais, entidades de classe e movimentos sociais, que exigem responsabilização do parlamentar.

A primeira-dama do Estado, Virginia Mendes, afirmou que o episódio vai além de um ataque pessoal. “Esse tipo de conduta não atinge apenas a prefeita, mas todas as mulheres que lutam por espaço na política. Nenhuma mulher deve ser submetida a esse tipo de violência verbal”, disse, defendendo que o vereador seja responsabilizado.
Na Assembleia Legislativa, a deputada Janaina Riva (MDB), procuradora da Mulher, anunciou que vai acionar o Ministério Público e cobrar providências institucionais. Ela lembrou que a conduta pode até levar à inelegibilidade. Uma moção de repúdio foi formalizada pela Assembleia, com a assinatura também dos deputados Carlos Avallone e Valdir Barranco.

A Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) classificou a atitude como desrespeitosa e preconceituosa, ressaltando que Iraci foi reeleita em 2024 com quase 70% dos votos. A entidade adiantou que vai protocolar na Câmara de Pedra Preta pedido de análise de quebra de decoro contra o vereador.

Além das instituições políticas, movimentos sociais também se posicionaram. A Associação da Parada LGBTQIA+ de Mato Grosso declarou apoio à prefeita e reforçou a importância de combater a violência política de gênero. “Mulher não é xingamento, mulher é respeito”, destacou em nota.
Até o diretório estadual do União Brasil Mulher, partido ao qual Gilson é filiado, repudiou publicamente as declarações, citando a Lei nº 14.192/2021, que estabelece medidas de prevenção e punição para esse tipo de prática.
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