Vereador do PL apresenta projeto que institui ensino religioso nas escolas de Cuiabá

A proposta passará pelas comissões permanentes da Câmara de Cuiabá antes de ser votada em Plenário.

O vereador Rafael Ranalli (PL) protocolou na Câmara de Cuiabá nessa terça-feira (3), um projeto de lei que prevê a inserção do ensino religioso nas escolas municipais da capital. A proposta estabelece que a disciplina seja ofertada no ensino fundamental, dentro do horário normal, mas só será cursada por quem for inscrito mediante manifestação de pais ou responsáveis no ato da matrícula na escola.

O projeto começa a tramitação na Casa de Leis de Cuiabá e passará pelas comissões permanentes que emitem pareceres técnicos antes da votação em plenário. Se aprovada, seguirá para sanção do prefeito Abilio Brunini (PL).

Rafael Ranalli
Vereador do PL protocolou um projeto que institui ensino religioso nas escolas de Cuiabá. – Foto: Primeira Página

Segundo o texto, o ensino religioso será ofertado no modelo chamado. Na prática, isso significa que a aula pode ser vinculada a uma religião específica ou a uma tradição de fé, seguindo a orientação dessa crença.

O texto reforça essa lógica ao prever participação de entidades religiosas no ambiente escolar e ao estabelecer que o docente, além de registro formal, tenha credenciamento emitido por autoridade religiosa competente.

A proposta ainda abre a possibilidade de concurso público específico para educadores da disciplina, caso haja demanda na rede.

Indefinição jurídica adia convocação de suplente de Chico 2000. - Foto: Câmara de Cuiabá.
Câmara vai analisar projeto que institui ensino religioso nas escolas de Cuiabá. – Foto: Câmara de Cuiabá

Justificativa

Na justificativa, o vereador Ranalli cita que o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a possibilidade do ensino religioso confessional em escolas públicas, com matrícula facultativa. O projeto usa esse entendimento como base e diz que pretende promover respeito entre tradições, sem violar a laicidade do Estado.

Segundo Ranalli, a proposta não permitirá discriminação, favorecimento ou prejuízo ao estudante por causa da escolha da família. O texto explica que quem não optar pelo ensino religioso poderá escolher outras atividades pedagógicas complementares, com possibilidade de aula de reforço nas áreas em que o aluno apresentar déficit.

Outro trecho central do projeto é a vedação ao proselitismo. A proposta diz que a aula não pode virar tentativa de conversão.

O parlamentar argumenta que o objetivo do projeto é promover respeito mútuo, convivência pacífica entre diferentes tradições e desenvolvimento ético, cultural e social dos estudantes, sem violar a laicidade do Estado.

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