Vereador Paccola diz que fez um 'procedimento técnico' ao matar agente do socioeducativo

Câmeras mostram o momento em que parlamentar atira e mata Alexandre Miyagawa

Em entrevista coletiva na Câmara de Cuiabá na manhã desta segunda-feira (4), o vereador Marcos Paccola (Republicanos) declarou que fez um “procedimento técnico” ao matar o agente de segurança do sistema socioeducativo, Alexandre Miyagawa, de 41 anos. O caso ocorreu na noite de sexta-feira (1º), no bairro Quilombo.

Vereador Paccola diz na Câmara que fez procedimento técnico ao matar agente
Vereador matou Alexandre na noite dessa sexta-feira (1°) em Cuiabá. (Foto: Divulgação | Câmara de Cuiabá)

“É triste demais, na minha posição. Então, assim, imagina tirar a vida de um colega de profissão em uma situação que eu realmente não gostaria de estar passando. Mas na certeza de ter feito o procedimento técnico, da forma correta”, disse o vereador. 

Leia mais

  1. Vereadora diz que vai entrar com pedido de cassação de Paccola por morte de agente

  2. Enterro de agente morto por vereador é marcado por homenagens e comoção

  3. Vereador Paccolla confirma que assessor pegou a arma de agente

O parlamentar ainda disse que fez os disparos, pois quem começa atirando tem mais chance de vencer o confronto. 

“Quem atira primeiro, em 80% das vezes, ganha o confronto. Na distância em que eu estava não poderia deixar aquilo ali e a partir do momento que eu decidi intervir fiz o procedimento pelo qual eu treinei e treino”, declarou. 

Câmeras flagraram ação

Câmeras do circuito de segurança mostram o momento em que parlamentar atira. As imagens mostram um veículo branco na contramão em alta velocidade. Dois minutos depois, um carro preto para no meio da rua e o vereador desce com a arma na mão. 

Ele atravessa a rua e conversa com pessoas que estavam em uma distribuidora de bebidas na esquina da rua. Depois vai até o local onde estava Alexandre e a namorada dele, e atira no agente socioeducativo. 

Versão de Paccola

Em nota divulgada nesse domingo (3), Paccola disse que o caso ocorreu quando estava a caminho de um compromisso. Ele disse que desceu do carro para ver por que o trânsito estava parado no local, mas que ouviu de uma pessoa no meio da aglomeração que o agente estava armado e de um terceiro que o agente iria matar a mulher.

O vereador relatou que em seguida viu Miyagawa com uma arma em punho, atravessando a rua com a mulher à sua frente. Paccola disse que pediu para que o agente largasse a arma, mas que ele teria se virado com o revólver e, por isso, atirou. 

Versão divergente

Nas redes sociais, a namorada de Alexandre, Janaína Sá, disse que estava dirigindo e que entrou com o carro na rua Presidente Arthur Bernardes, na contramão, para usar o banheiro de uma empresa próxima. 

Ela relatou que desceu do carro rápido e algumas pessoas que estavam no local começaram a xingá-la “por ter entrado na contramão”. Janaína afirmou que ignorou os xingamentos e atravessou a rua para ir até o estabelecimento. 

“Saí andando rápido para ir no banheiro na distribuidora e o ‘Japa’ tem mania de andar com a mão na cintura, mania de policial, tipo fazendo guarda atrás de mim e disse: ‘amor espera’. Depois disso eu só vi ele caindo no chão”, relatou no vídeo. 

Enterro e investigação

Alexandre Miyagawa foi enterrado nesse domingo (3), no Cemitério Parque Bom Jesus, no bairro Jardim Cuiabá, na Capital.

A Polícia Civil informou nesta segunda-feira que abriu inquérito na DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa) para apurar o caso. Também ressaltou que estão sendo feitas perícias e levantamos, seguida de depoimentos de testemunhas e do formal interrogatório de Paccola. 

Além disso, informou que testemunhas estão sendo ouvidas e que aguarda o resultado de perícias para esclarecer as circunstâncias dos fatos. 

FALE COM O PRIMEIRA PÁGINA

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.