Anvisa busca com urgência antídoto contra intoxicação por metanol

Sem estoque no país, governo mobiliza órgãos internacionais para trazer o fomepizol e reforçar o atendimento em hospitais.

Devido os casos recentes de intoxicação por metanol, o Brasil está adotando medidas emergenciais para garantir o medicamento usado como antídoto, o fomepizol. Sem registro no mercado brasileiro, o remédio precisa ser trazido do exterior, e por isso a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acionou órgãos reguladores de diferentes países para acelerar o processo de importação.

Copo com bebida alcoólica. (Foto: Arquivo/Agência Brasil)
Anvisa busca com urgência antídoto contra intoxicação por metanol. (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Entre os órgãos contatados estão a FDA (Estados Unidos), a EMA (União Europeia) e as agências de Canadá, Reino Unido, Japão, China, Argentina, México, Suíça e Austrália.

O fomepizol é considerado o tratamento de referência porque bloqueia a transformação do metanol em substâncias tóxicas que afetam gravemente o sistema nervoso e o fígado. Na ausência dele, hospitais recorrem ao uso controlado de etanol grau farmacêutico, alternativa menos segura e eficaz.

Para agilizar o fornecimento, o Ministério da Saúde pediu à Anvisa que lançasse um edital de chamamento internacional em busca de fabricantes e distribuidores com estoque disponível. Laboratórios, como o Lacen/DF, o Laboratório Municipal de São Paulo e o INCQS/Fiocruz, foram mobilizados para analisar amostras suspeitas de bebidas adulteradas, em diferentes estados, em parceria com as vigilâncias locais.

Em caso de suspeita de envenenamento, a população deve acionar o Disque-Intoxicação (0800-722-6001), enquanto o medicamento não chega ao país.

O que é o metanol?

Ministro da saúde apresenta dados de intoxicação por metanol no Brasil. | Vídeo: GloboNews

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse nesta quinta-feira (2) que o Brasil tem 59 casos envolvendo intoxicação por metanol, sendo 12 confirmados e 47 suspeitos.

A substância é um tipo de álcool utilizado por falsificadores de bebidas alcoólicas para baratear os custos, mas que é altamente tóxico para seres humanos, podendo ser fatal quando ingerido, segundo o Ministério da Saúde. Os sinais de intoxicação costumam surgir entre 12 e 24 horas após o consumo e incluem dor abdominal, alterações na visão, náuseas e confusão mental.

Ao perceber esses sintomas, a recomendação é procurar imediatamente um serviço de emergência para avaliação médica e início do tratamento. Cabe ao profissional de saúde acionar o CIATox da região, garantindo a notificação do caso e a condução adequada da investigação.

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