Canetas emagrecedoras e check-up cardíaco: o que mudou no cuidado com sobrepeso

Especialistas definem categorias de risco e indicam medicamentos inovadores para prevenção de doenças cardíacas.

O Ministério da Saúde e sociedades médicas brasileiras lançaram em 2025 uma diretriz inédita que altera profundamente a forma como adultos com sobrepeso ou obesidade devem ser acompanhados: agora, todos esses pacientes devem ter seu risco cardiovascular avaliado e categorizado.

Como forma de falar da prevenção, o Dia Mundial da Obesidade é comemorado neste sábado (4). (Foto: Ilustrativa).
(Foto: Ilustrativa).

O documento, elaborado pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e Academia Brasileira do Sono (ABS), traz recomendações detalhadas para prevenir complicações graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.

A avaliação do risco cardiovascular será feita principalmente pelo escore Prevent, uma ferramenta que calcula a probabilidade de eventos cardiovasculares nos próximos dez anos. A diretriz especifica critérios claros para classificar os pacientes em baixo, moderado e alto risco. Entre os fatores considerados estão idade, Índice de Massa Corporal (IMC), histórico de eventos cardiovasculares, presença de diabetes, hipertensão e apneia obstrutiva do sono, entre outros.

Risco baixo

Pacientes com sobrepeso ou obesidade sem fatores de risco, ou com Prevent inferior a 5% em 10 anos.

Risco moderado

Pacientes com Prevent entre 5% e 20% em 10 anos ou com um ou mais fatores de risco, mas sem eventos cardiovasculares prévios.

Risco alto

Inclui pessoas com doença cardiovascular estabelecida, Prevent ≥ 20%, diabetes de longa duração, doença renal crônica avançada, ou sintomas sugestivos de insuficiência cardíaca.

A diretriz também destaca categorias específicas de risco para insuficiência cardíaca, incluindo pessoas com IMC acima de 40, apneia obstrutiva do sono grave, hipertensão associada à obesidade, fibrilação atrial e outras condições que aumentam o risco de complicações graves.

Além da categorização de risco, o documento reforça o papel de medicamentos inovadores conhecidos como “canetas emagrecedoras”, como a liraglutida e a semaglutida, agonistas do GLP-1. Segundo a diretriz, esses medicamentos podem ser indicados para:

Diretrizes de Uso de GLP-1

Liraglutida

Adultos com sobrepeso ou obesidade e risco cardiovascular moderado ou alto, com objetivo de perda de peso e redução do risco de doenças cardíacas.

Semaglutida

Pacientes com IMC ≥ 27, sem diabetes, mas com doença cardiovascular estabelecida, visando reduzir risco de morte por eventos cardíacos e AVC.

O documento ainda recomenda perda de peso para melhorar condições associadas, como apneia do sono moderada a grave e insuficiência cardíaca estabelecida, com foco na qualidade de vida, função cardíaca e capacidade física.

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