Canetas emagrecedoras podem causar perda muscular, alteração no sono e queda de cabelo, alerta nutricionista

O uso das canetas emagrecedoras é autorizado pelos órgãos de saúde e vigilância do Brasil, mas o nutricionista Danilo Macena alerta que a indicação é para pessoas com doenças relacionadas a obesidade e diabetes.

A busca pelo corpo magro, frequentemente associado ao padrão de beleza idealizado pela sociedade, voltou a ganhar força nos últimos anos. Nesse cenário, cresce também a procura por métodos de emagrecimento rápido, tendo como opções as canetas emagrecedoras, que vêm conquistando cada vez mais adeptos.

A aquisição de produtos como Ozempic e Mounjaro, em 2025, somou US$ 1,669 bilhão no ano, valor equivalente a cerca de R$ 9 bilhões, segundo dados divulgados pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) com base no Ministério do Desenvolvimento. O salto foi de 88% em relação a 2024.

canetas emagrecedoras
Compra de canetas emagrecedoras somou R$ 9 bilhões em 2025 no Brasil. – Foto: Sweet Life/Pexels

Embora autorizadas pelos órgãos de saúde e vigilância sanitária para o tratamento de doenças como diabetes e obesidade, as chamadas canetas emagrecedoras passaram a ser amplamente utilizadas com finalidade estética. O uso para perda de peso rápida, muitas vezes sem indicação médica adequada, tem levantado preocupações entre especialistas e autoridades de saúde.

Segundo o nutricionista esportivo, Danilo Macena, as canetas emagrecedoras chegaram para revolucionar a obesidade e devem ser utilizadas por pessoas que realmente sofrem com doenças relacionadas ao peso.

“Acho fantástico, desde que haja acompanhamento médico. Estão salvando pessoas dos riscos da cirurgia bariátrica. Eu sou a favor quando há necessidade. Porque vemos pessoas, por exemplo, jovens, mulheres, precisando perder 3,4 quilos de gordura. Por que utilizar essa caneta? Ela é para pessoas com obesidade que precisam perder 10, 20, 30 quilos de gordura, diabéticos que estão com pressão arterial alterada”, disse. Veja vídeo:

Nutricionista Danilo Macena explica consequências do uso de canetas emagrecedoras em acompanhamento. – Vídeo: Jolismar Bruno/Primeira Página

A popularidade das canetas emagrecedoras é confirmada pela pesquisa do Instituto Locomotiva, também divulgada pelo Conselho Federal de Farmácia, na qual, 62% dos brasileiros afirmam conhecer alguém que utiliza ou já utilizou esses medicamentos. Além disso, em 1 a cada 3 domicílios (33%) há pelo menos um morador que faz ou fez uso das canetas.

O nutricionista Danilo Macena atribuiu a popularidade à preocupação das pessoas com o peso nas balanças, sem esquecer outros componentes além da gordura que provocam o aumento ou a perda do peso.

“As pessoas que sempre tiveram traumas com o corpo enxergam as canetas emagrecedoras como uma solução rápida, para olhar a balança e falar: ‘perdi 20 quilos’. Mas elas esquecem que perderam também massa muscular e água do corpo”, afirmou. 

caneta emagrecedora
Compra de canetas emagrecedoras somou R$ 9 bilhões em 2025 no Brasil. – Foto: Reprodução/Arquivo da Internet

Para o especialista, o uso das canetas emagrecedoras deve ocorrer sempre com acompanhamento médico e nutricional, a fim de reduzir riscos à saúde. Ainda assim, alguns efeitos colaterais podem ser registrados durante o tratamento, como queda de cabelo, perda de massa muscular, alterações no sono e diminuição da libido.

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