Com 4.143 casos em 2025, Janeiro Roxo reforça informação sobre hanseníase em MT

Campanha busca ampliar o conhecimento e reduzir o preconceito sobre a doença.

Janeiro é um mês de atenção à hanseníase. A campanha Janeiro Roxo volta a colocar o tema em debate e reforça a importância da informação e do diagnóstico precoce, passos fundamentais para reduzir a transmissão e evitar complicações da doença.

A hanseníase ainda é considerada um desafio para a saúde pública no Brasil. Apesar de antiga e conhecida, muitos casos seguem sendo identificados tardiamente, o que pode levar a sequelas evitáveis quando o tratamento não é iniciado há tempo.

Campanha Janeiro Roxo alerta para hanseníase em Mato Grosso - Foto: SMS de Mesquita/RJ
Campanha Janeiro Roxo alerta para hanseníase em Mato Grosso – Foto: SMS de Mesquita/RJ

Em Mato Grosso, os dados ajudam a dimensionar esse desafio. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), em 2024 o estado registrou 4.723 novos casos de hanseníase, com taxa de detecção de 123,19 casos a cada 100 mil habitantes. Já em 2025, números parciais apontam 4.143 novos diagnósticos, com taxa de 106,40 casos por 100 mil habitantes.

O que é a hanseníase?

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae e atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. Os sinais iniciais costumam ser silenciosos: manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas na pele, geralmente sem dor, mas com perda ou alteração da sensibilidade ao toque, ao frio ou ao calor.

Sinais mais comuns

Além das manchas, podem surgir sintomas neurológicos, como formigamento, dormência, sensação de choque, dores ao longo dos nervos e diminuição da força nas mãos, pés ou face. Em alguns casos, há redução dos pelos e do suor na região afetada, inchaço nas extremidades e feridas que demoram a cicatrizar.

Como ocorre a transmissão?

A transmissão ocorre pelo contato próximo e prolongado com pessoas que ainda não iniciaram o tratamento, por meio de gotículas eliminadas ao falar, tossir ou espirrar. O período de incubação é longo e pode variar de dois a sete anos, o que contribui para o diagnóstico tardio.

Apesar do estigma histórico, a informação principal precisa ser reforçada: a hanseníase tem cura. O diagnóstico e o tratamento são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Diagnóstico e tratamento

Para identificar a hanseníase, os profissionais de saúde avaliam a pele em busca de lesões ou áreas com alteração de sensibilidade, além de sinais de comprometimento dos nervos, que afetam os movimentos e a sensibilidade dos braços e das pernas.

O tratamento, chamado de poliquimioterapia, é feito com o uso combinado de antibióticos. As doses são tomadas mensalmente, tanto na unidade de saúde quanto em casa, conforme orientação médica.

Informação como prevenção

A proposta do Janeiro Roxo é justamente ampliar o conhecimento da população, combater o preconceito e incentivar a busca por atendimento logo aos primeiros sinais.

Ao notar qualquer alteração persistente na pele ou na sensibilidade do corpo, a orientação é simples: procurar atendimento médico o quanto antes.

Em Mato Grosso, onde os números ainda são expressivos, reconhecer os sintomas e procurar uma unidade de saúde pode evitar sequelas e interromper a cadeia de transmissão.

Leia mais

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