Doenças erradicadas como poliomelite, varicela e sarampo podem voltar por falta de vacinação

Especialista afirma que falta de vacina pode acarretar o retorno de doenças já erradicadas

Doenças erradicadas no Brasil podem voltar a preocupar autoridades sanitárias. É o que diz a OMS (Organização Mundial de Saúde) e o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) que apontou para o fato de que doenças como poliomelite, varicela, tétano e sarampo terem o menor índice de vacinação dos últimos 30 anos.

Poliomelite

O último caso de poliomielite no Brasil foi em 1984, porém, em 2023 foi dada a classificação de alto risco para a reintrodução do poliovírus no país, devido à baixa cobertura vacinal.

Dados divulgados em 2022, mostram que 25 milhões de crianças estão com as vacinas atrasadas. O Brasil está entre os 10 países com a maior quantidade de crianças com a vacinação atrasada.

Em maio deste ano, a Prefeitura de Cuiabá iniciou a campanha de vacinação da poliomelite e a adesão foi considerada baixíssima. A meta era vacinar 44 mil crianças, no entanto, a vacinação começou em 28 de maio e imunizou 7.714 crianças, o que equivale a 21,09% da cobertura alcançada, de acordo com o último levantamento da SMS (Secretaria Municipal de Saúde).

De acordo com Renata Godoy, responsável pelo setor de imunização em Cuiabá, a meta de vacinação para crianças é 95%, mas nos últimos anos tem sido difícil alcançar.

“A partir de 2019 houve uma queda acentuada na procura por vacinas nos postos da Capital. Essa redução se intensificou durante a pandemia, ainda mais com as informações incorretas que têm sido divulgadas à respeito do sistema vacinal. No entanto, no ano passado e este ano, percebemos um retorno do público-alvo aos postos de saúde”, explicou ela.

Ela explica ainda que das vacinas que as crianças precisam tomar até os 5 anos, os índices caíram, mas continuam acima dos 70%, o que é bom, mas não é o ideal. A resistência maior está entre os adolescentes que precisam tomar vacinas como HPV, ACWY (contra meningite) e dengue.

“Outro público que tem se mostrado resistente são os idosos, inclusive, em razão das fake news. Um exemplo é a queda brusca no índice de vacinação da Influenza, que antes era um dos imunizantes mais aceitos pela população”.

Segundo o setor de imunização, o índice de aplicação de doses precisa melhorar em torno de 10% a 20% em todos os públicos-alvo e para todas as vacinas disponíveis na rede pública de Saúde.

Índice de vacinação em Cuiabá:

indice de vacinacao em Cuiaba
vacina Cuiaba
Campanha de vacinação em Cuiabá. (Foto: TVCA)

Volta de doenças erradicadas

A OMS cita que pesquisas mostram que antes da vacina da poliomielite era comum que mais de mil crianças fossem diagnosticadas com a doença por ano. Além disso, nesta mesma época, outras doenças (como o sarampo, tuberculose, difteria e rotavírus) registravam uma taxa de mortalidade de 50% dos infectados.

Os resultados das campanhas de vacinação e conscientização foram marcantes, enfatizando a proteção individual e, tendo por consequência a proteção coletiva.

Porém, de acordo com a biomédica Suzany Soczek, esse cenário vem mudando nos últimos anos e essa mudança foi acentuada na pandemia por conta do negacionismo em relação à vacina da covid.

Aliado ao alto poder de disseminação de informações falsas, as fake news fizeram os índices de vacinação despencaram em muitas regiões do país e, por consequência, há o risco de reaparecimento de doenças antes consideradas erradicadas e o aumento no número de outras doenças, antes controladas. 

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Caderneta de vacinação preenchida. (Foto: TVCA)

Panorama em Mato Grosso

De acordo com a SES-MT (Secretaria Estadual de Saúde), os índices de vacinação no Estado são bons, mas distantes dos 95% tão esperado nas campanhas de imunização.

No caso das vacinas que devem ser recebidas pelas crianças até 5 anos, o quadro é o seguinte:

Em 2023, 95,89% do público-alvo recebeu a vacina BCG. Nos primeiros 6 meses deste ano, o índice caiu para 86,61%.

Os dados da SES mostram ainda que 88,67% das crianças tomaram a vacina contra polio, em 2023. No primeiro semestre deste ano, o percentual de imunizados também caiu para 84,97%.

Com relação à vacina tríplice viral, 89,14% do público recebeu o imunizante, no ano passado. Este ano, nos seis primeiros meses foram 84,21%.

Veja o quadro do calendário vacinal:

calendario vacinal

Embora haja registros do reaparecimento de algumas das doenças erradicadas no Brasil, em Mato Grosso, segundo a SES, elas continuam sob controle.

casos de doenca

As unidades municipais de saúde estão abertas para receber o público que ainda não se vacinou. Além dessas, continuam sendo aplicadas doses de vacinas contra a gripe, covid e, para crianças e adolescentes, contra a dengue.

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