Em crise financeira, Prefeitura de Várzea Grande suspende férias de servidores da Saúde por 6 meses

Segundo a prefeitura, servidores não perderão o direito ao benefício, que será concedido de forma programada após a normalização do cenário.

A Prefeitura de Várzea Grande suspendeu por 180 dias as férias dos servidores públicos da Secretaria Municipal de Saúde. O aviso foi feito via comunicado interno nesta terça-feira (11). A gestão classifica a medida como um ato de caráter ‘excepcional e temporário’.

Em nota, a pasta argumentou que a intenção é promover o equilíbrio das despesas públicas em momento de reorganização administrativa e contenção de gastos decretado pela calamidade financeira.

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“A secretaria esclarece ainda que não há perda do direito às férias por parte dos servidores. O benefício será usufruído de forma programada e organizada, assim que houver a normalização do cenário financeiro e administrativo do município, respeitando os direitos e a legislação vigente”, diz trecho do documento.

Em 17 de julho deste ano a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL) decretou situação de calamidade financeira e fiscal na administração pública no município. O decretos têm validade inicial de 180 dias.

Segundo o Executivo, a medida foi motivada pela crise financeira, após decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reconhecer a inadimplência do município em relação ao Plano Anual de Pagamento de Precatórios e autorizar o sequestro de R$ 19,7 milhões dos cofres municipais.

Conforme o decreto, o bloqueio dos recursos e a restrição à disponibilidade financeira comprometem o fluxo de caixa necessário para custear despesas obrigatórias e garantir a continuidade dos serviços públicos essenciais.

O documento também aponta que grande parte das receitas correntes de Várzea Grande é composta por transferências constitucionais e legais da União e do Estado, como recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), da cota-parte do ICMS e dos repasses destinados à saúde.

De acordo com a administração municipal, essas receitas são indispensáveis para o pagamento da folha salarial, manutenção de contratos administrativos e execução de despesas obrigatórias.

Além da falta de liquidez, a prefeitura afirma enfrentar restrições orçamentárias decorrentes da insuficiência de receitas frente ao volume de despesas obrigatórias.

Segundo o decreto, esse cenário coloca em risco a continuidade de áreas consideradas essenciais, como saúde, educação, assistência social, limpeza urbana, segurança pública municipal, transporte e pagamento dos servidores.

Calamidade financeira

O que mudou em Várzea Grande?

Os decretos têm validade inicial de 180 dias e determinam contenção de gastos para priorizar serviços públicos essenciais.

180 dias de vigência inicial dos decretos

Despesas que terão prioridade

Folha de pagamento

Pagamento dos salários e demais despesas obrigatórias.

Saúde e educação

Manutenção dos atendimentos e serviços públicos essenciais.

Assistência social

Continuidade de programas voltados à população vulnerável.

Limpeza e segurança

Recursos destinados à limpeza urbana e segurança municipal.

Água e saneamento

Manutenção do abastecimento e dos serviços prestados pelo DAE.

Decisões judiciais

Cumprimento de ordens que possam afetar ainda mais as contas.

O que fica suspenso ou limitado?

×

Criação de novas despesas que não sejam obrigatórias.

×

Ampliação de programas sem previsão no orçamento.

×

Assinatura de novos contratos que não sejam indispensáveis aos serviços essenciais.

×

Compra de bens permanentes sem caráter urgente.

×

Realização de eventos, festas e outras despesas discricionárias.

O que o decreto não faz automaticamente?

A calamidade financeira não interrompe os serviços essenciais, não suspende automaticamente o pagamento dos servidores e não autoriza aumento de impostos ou descumprimento de obrigações legais.

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