O nome é internação social. Mas na prática, o significado é de abandono familiar. É a situação vivida por Idosos que já receberam alta hospitalar, mas continuam internados porque perderam o vínculo familiar ou não querem ser levados para asilos ou ainda precisam de cuidados específicos.

Em Campo Grande, a equipe da Santa Casa é experiente em situações do tipo. Por diversos motivos, pacientes acima dos 60 anos recebem liberação do médico, mas seguem no lugar.

Idosos internados na Santa Casa em Campo Grande
Idosa internada na Santa Casa em Campo Grande aguarda vaga em abrigo para idosos (Foto: Maressa Mendonça)

Em 2021, a Santa Casa de Campo Grande teve 28 internações sociais. Deste total, 17 eram idosos que ficaram, em média, 60 dias no hospital. Mas em alguns casos as internações ultrapassaram três meses.

Este ano, foram oito casos de internação social até março, sendo que seis envolveram idosos. Nesta sexta-feira (13), conforme a assessoria de imprensa da Santa Casa, são seis pessoas internadas nesta condição.

Emily Moraes foto maressa
Supervisora do serviço social da Santa Casa, Emily Moraes (Foto: Maressa Mendonça)

“Nossa população cada dia mais tem envelhecido, mas o que eu vejo? A população não tem se preparado para esse momento.Eu vou ter uma mãe que vai envelhecer, vou ter um pai que vai envelhecer, mas a população não tem esse hábito de pesquisar como vai ser, né ?” questiona a supervisora do serviço social da Santa Casa, Emily Moraes.

Emily opina que as pessoas pensam muito mais na morte de alguns idosos que nestes cuidados. “A gente acha que a pessoa vai ter um AVC, um ataque cardíaco e vai morrer, não vai precisar de cuidados, mas pode ser que tenham pessoas que vão precisar desses cuidados. Vão ficar numa cama, precisando ser alimentadas, higienizadas, retornar as consultas”.

Corredor da Santa Casa Maressa Mendonca
Pacientes não têm autorização para visitar outras alas (Foto: Maressa Mendonça)

O início das internações

A supervisora do serviço social explica que, quando os idosos dão entrada no hospital sem terem sido levados por parentes, uma verdadeira “operação” de busca e orientação dos familiares é realizada.

Em alguns casos, a família não quer assumir os cuidados, em outros temem não conseguir atender o idoso adequadamente, tem ainda os pacientes que não querem deixar o hospital para serem abrigados em outro lugar e aqueles que não querem morar com familiares.

Mas existem também os casos de idosos que tinham perdido o vínculo com a família e acabaram restabelecendo o contato.

O fato é que, segundo Emily, hospital não é um local adequado para um paciente de alta, seja criança, seja adolescente, seja gestante, seja mulher”, diz, lembrando que o leito que eles ocupam poderia ser usado no tratamento de outras pessoas.

Quando o abrigo é necessário

Quando os casos de abandono são confirmados é a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) que entra em ação para fazer um novo estudo sobre as necessidades do paciente e avaliação sobre a necessidade de acolhimento. Eles enfatizam que isto só ocorre, “após o esgotamento de todas as possibilidades e busca por familiares”.

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