Médicos formados na Bolívia são denunciados por deixar pacientes com covid sem comer e acordados em intubação

Três médicos formados na Bolívia e não habilitados pelas autoridades brasileiras e dois sócios da empresa responsável pela prestação dos serviços de saúde na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de covid-19 do hospital onde os fatos ocorreram, em Água Boa, a 730 km de Cuiabá, foram denunciados pelo MPE (Ministério Público Estadual) por exercício ilegal […]

Três médicos formados na Bolívia e não habilitados pelas autoridades brasileiras e dois sócios da empresa responsável pela prestação dos serviços de saúde na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de covid-19 do hospital onde os fatos ocorreram, em Água Boa, a 730 km de Cuiabá, foram denunciados pelo MPE (Ministério Público Estadual) por exercício ilegal da medicina.

Médicos são denunciados em MT
Médicos sem habilitação são denunciados em MT

O MPE destaca que por várias vezes o grupo atuou sem a supervisão do médico responsável local, prescrevendo medicamentos, avaliando pacientes e exames clínicos, bem como realizando procedimentos médicos, como dreno de tórax, acesso central, intubação e até massagem cardíaca.

Os administradores da unidade hospitalar na ocasião são acusados de substituir os medicamentos de primeira linha por outros que não tinham a mesma eficácia de sedação. Segundo o MPMT, existem relatos de pacientes que teriam passado pela experiência de acordar durante o período em que se encontravam intubados.

Para poupar gastos com materiais, insumos descartáveis como seringas, agulhas, frascos utilizados para as dietas e frascos de soro teriam sido reutilizados pela unidade hospitalar. Há registros, inclusive, de que um paciente da UTI chegou a ficar sem receber alimentação por até três dias.

Falsos médicos

Eles vão responder também por expor a vida ou a saúde de outras pessoas a perigo, associação criminosa e falsidade ideológica.

De acordo com o MPE, várias reclamações relacionadas à atuação dos denunciados chegaram ao Ministério Público e os fatos estão sendo apurados na esfera cível e criminal. Existe, inclusive, inquérito policial instaurado para apurar possíveis consequências criminais envolvendo a morte de duas pessoas.

Consta na denúncia, que o grupo atuou entre os meses de abril e maio deste ano no Hospital Regional Paulo Alemão. Além de exercer a profissão de médico sem autorização legal, as investigações revelaram que eles inseriram declaração falsa com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.

A denúncia foi oferecida nesta sexta-feira (19) pelo promotor de Justiça Luis Alexandre Lima Lentisco.