Ministério da Saúde entra no debate sobre futuro do Samu após risco de demissões em MT
Nova reunião deve discutir modelo de gestão na Grande Cuiabá; reestruturação já gera críticas e incerteza entre profissionais.
O futuro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na Grande Cuiabá deve ser discutido em um novo encontro na próxima semana, com participação do Ministério da Saúde. A reunião ocorre em meio à reestruturação do serviço e ao risco de demissão de mais de 50 profissionais.
Nos municípios da Baixada Cuiabana, a regra do Sistema Único de Saúde (SUS) estabelece que as prefeituras são responsáveis pela gestão do Samu, incluindo a contratação de equipes e a manutenção das bases. No entanto, diante da falta de estrutura municipal, o Governo de Mato Grosso assumiu a gestão de forma excepcional.

A mudança mais recente no modelo começou no ano passado, quando o serviço passou a ser integrado ao Corpo de Bombeiros. Segundo o governo, a medida faz parte de uma reorganização administrativa para ampliar a cobertura e reduzir o tempo de resposta nos atendimentos.
O tema foi debatido nesta semana durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Um dos principais pontos levantados foi a possibilidade de demissão de profissionais, já que os contratos são temporários e podem não ser renovados.
De acordo com o governo, a decisão sobre a renovação dos vínculos faz parte da reestruturação administrativa e segue critérios de gestão. A administração estadual afirma que o novo modelo já apresenta resultados, com ampliação das equipes — que passaram de 12 para 25 na região — e melhora no tempo de resposta.
Representantes do Corpo de Bombeiros defendem a integração e destacam que a atuação conjunta aumentou a capacidade operacional do serviço.
Durante a audiência, porém, servidores do Samu criticaram a mudança. Profissionais relataram insegurança quanto ao futuro do serviço e apontaram riscos de perda de qualidade no atendimento, caso haja redução de equipes.
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A enfermeira Patrícia Ferreira, que atua no Samu, afirmou que falta clareza sobre o destino dos trabalhadores e sobre o funcionamento do serviço nos próximos meses.
Paralelamente, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) analisou denúncias sobre possíveis irregularidades na reestruturação, mas decidiu arquivar o pedido de investigação por não identificar, até o momento, prejuízo concreto à população .
No entanto, o próprio órgão fez um alerta: o governo precisa definir de forma clara qual será o futuro do Samu no estado. Segundo o Ministério Público, há risco de redução do serviço ao longo do tempo caso não haja reposição adequada de profissionais .
A discussão deve avançar na próxima semana com a participação do Ministério da Saúde, que deve ajudar a definir os rumos do atendimento de urgência na região metropolitana de Cuiabá.
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