Misofonia - O Som que anima é o mesmo que enlouquece

A Síndrome da Sensibilidade Seletiva a Sons, conhecida como “Misofonia”, diz respeito a um incômodo exagerado a determinados sons, ainda que de baixa intensidade

Hoje em dia sabe-se um pouco de tudo, mas não se sabe tudo de tudo e de muita coisa, sabe-se quase nada. As pesquisas, porém, no campo da saúde não param, principalmente nos grandes centros. Sintomas e sinais, antes desconhecidos ou vistos sem importância ou popularmente chamados de “besteira”, passaram, por meio dos estudos, a ser compreendidos e ter a importância merecida.

Dentre esses incômodos, a que me reportei como sinais ou sintomas, que poderiam ser denominados de fenômenos, hoje vistos como uma condição clínica, está a Síndrome da Sensibilidade Seletiva a Sons, conhecida como “Misofonia”, que diz respeito a um incômodo exagerado a determinados sons, ainda que de baixa intensidade, o que não é comum na imensa maioria das pessoas e, por isso, pouco compreendido pela população humana, que trata essas pessoas como “chatas” e, muitas vezes, a evitam em seus meios sociais.

Aqueles que sofrem com esta condição são denominados de Misófones, que sofrem não apenas com a intolerância que têm aos sons como também com a intolerância, que despertam nas pessoas em relação a eles e ainda pelo silêncio, porque evitam falar do assunto e assim deixam de tratar-se. Quando se reportam a outros sobre suas dificuldades, são incompreendidos e vistos como implicantes e antissociais.

Hoje estima-se que cerca de 10 a 15% da população mundial sofra de Misofonia em diferentes graus, desde os mais leves até os mais graves. Os mais leves seriam aqueles que se incomodam com sons que, de alguma forma, trazem algum incômodo a todas as pessoas, sendo, porém, toleráveis pela maioria delas, como, por exemplo, o barulho causado por uma construção ou reforma no prédio ao lado de onde moram ou trabalham. Quanto menor o barulho causador do incômodo, maior é a gravidade do problema, como, por exemplo, o sofrimento causado pela mastigação de alguém que divide a mesa de refeição com eles.

São muitos exemplos de incômodos, como a digitação de um teclado, o pigarro, o som de talheres, a abertura de um papel de bala, o arrastar de chinelos, roncos ou o simples ressonar, miados, latidos e muitos outros. É importante entender que o incômodo não é dirigido às pessoas que provocam o barulho, mas ao próprio barulho, independentemente de onde venha, pelo que seja produzido e por quem o produz. Isso faz que muitas vezes que os misófones evitem determinados ambientes e que tenham dificuldades até em ambientes profissionais.

Quando expostos aos sons, os misófones podem ter desde um pequeno incômodo até uma reação desproporcional, com intensa irritabilidade, taquicardia sudorese, chegando à necessidade de deixar com urgência o local em que o som está sendo produzido.

Misofonia - O Som que anima é o mesmo que enlouquece. Imagem mostra mulher jovem tampando os ouvidos com os dedos demonstrando incomodo com algum som
Imagem ilustrativa. (Foto: cookie_studio/ Freepik)

A Misofonia ainda não tem uma causa totalmente esclarecida, mas pode estar ligada a ansiedade, ao transtorno obsessivo-compulsivo, a condições neurológicas ou auditivas. Por isso, aqueles que sofrem com este problema de saúde, devem procurar, de início, um otorrinolaringologista e, a critério deste, um neurologista. Caso seja afastado algum problema dessas áreas, é aconselhável um tratamento psicológico, visando à dessensibilização aos sons e tratamento psiquiátrico com o uso de fármacos para controle maior da ansiedade.

Infelizmente, apesar dos recursos terapêuticos atuais, ainda não existe cura para a Misofonia, todavia o tratamento proporciona grande melhora, possibilitando que o misófone desfrute de uma vida bem mais próxima da normalidade. Assim, o som que o enlouquecia, não se torna agradável, mas, pelo menos, tolerável.

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Este conteúdo reflete, apenas, a opinião do colunista Saúde Mental, e não configura o pensamento editorial do Primeira Página.

Comentários (1)

  • Joabe Medeiros de Albuquerque

    Hoje, estava tomando café da manhã aqui na empresa, quando passava essa reportagem, corri para o escritório para ler a matéria na íntegra, e achei tão interessante que levei o tema para DDS.
    Ao ler a reportagem, senti que vocês falavam de mim (risos), me encaixo em todos os critérios. Evito falar do assunto para não parecer precocemente “um velho ranzinza”, como já me disseram diversas vezes. Nem eu sabia o que acontecia e acontece comigo, mas ao saber da existência dessa condição, fiquei mais tranquilo e vou procurar tratamento. Meu maior problemas é com cachorros, não consigo ter e os dos meus vizinhos me incomodam a ponto de ter sudorese, dor de cabeça, tremedeira… o que leva a insônia.
    (…)
    Matéria incrível! Obrigado!

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