Marido afirma que demora em atendimento de UPA causou mortes de mãe e bebê em MT

Pai denunciou as mortes à polícia e afirma que houve demora no atendimento. A secretaria municipal de Saúde nega qualquer negligência médica.

As mortes de Andra da Conceição e do bebê dela, Pedro Miguel, em uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Tangará da Serra (MT), são investigadas pela Polícia Civil. O bebê morreu no dia 5 de abril, e a mãe, 12 dias depois. O Ministério Público do estado (MPMT) também abriu procedimento para acompanhar o caso.

Na madrugada do dia 5, Andra passou mal, e segundo o marido dela, Crenival Rodrigues Ferreira, teria entrado em trabalho de parto. Ele a levou à UPA, onde foi atendida. O problema, segundo ele, foi a demora no atendimento, que teria feito com a mulher tivesse complicações no parto.

Em entrevista, a secretária municipal de Saúde, Angela Belizário, negou qualquer negligência no atendimento médico e ressaltou que a UPA conta com reforço na equipe desde o decreto de emergência em saúde devido ao surto de gripe na região.

Andra da Conceição e o esposo Crenival Rodrigues Ferreira. - Foto: Reprodução
Andra da Conceição e o esposo Crenival Rodrigues Ferreira. – Foto: Reprodução

Diante da morte da mulher e do filho, Cernival registrou boletim de ocorrência contra a unidade de saúde. Em depoimento, ele disse que começou na demora depois de passarem pela triagem. O médico plantonista teria avaliado a paciente e encaminhado para a ginecologista que, naquele momento, estava no intervalo.

Ele disse ainda que a esposa ficou numa cadeira de rodas enquanto esperava o atendimento no corredor, o que teria gerado desconforto. A secretária de Saúde informou que, pouco depois, a gestante foi transferida para uma maca adequada.

“Mas a demora da médica chegar foi deixando minha esposa vulnerável, porque a UPA estava ficando cheia com gente com gripe. Aí voltei a falar com ele [médico plantonista], e ele disse que iria examinar. Aí comecei a ligar para as pessoas, até que consegui falar com um médico particular. Até ele já estava acompanhando o caso dela. Ele falou para gente ir para lá [unidade particular], então peguei minha esposa e coloquei no carro, tomando soro, e levei para o hospital particular. Eu só saí do hospital municipal porque não tive atendimento de uma profissional”, desabafa.

No hospital particular, o procedimento de cesárea foi realizado, mas o bebê nasceu sinais vitais. Dois dias depois, Andra foi internada na UTI. Ela ficou 12 dias em coma induzido, mas não resistiu.

Pai de bebê mostra coisinhas do filho após pequeno morrer durante o nascimento. – Foto: Reprodução

Cernival e Andra estavam juntos há cinco anos e se preparavam para ter o primeiro filho.

“É muito doloroso. A gente preparou por nove meses o quarto, as coisas, as roupas, o quarto, o guarda-roupa, tudo. Nove meses preparando e o bebê não vem pra casa, nem a mãe. Eu não tenho mais alegria de viver”, conta.

Mortes de bebês

Apenas no ano passado, foram 17 casos de mortes de recém-nascidos e fetos em hospitais de Tangará da Serra, segundo dados do DataSUS. Esses registros estão catalogados como evitáveis, ou seja, poderiam ter sido evitados com assistência médica desde a gestação até o parto.

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