Plataforma conecta médicos generalistas com especialistas em hanseníase em MT
Segundo a OMS, o Brasil é o segundo país no mundo com mais casos novos de hanseníase
Uma plataforma virtual lançada de modo inédito pretende ajudar os médicos na condução de casos complexos de hanseníase em Mato Grosso. A ferramenta funciona de forma piloto e realizando uma ponte entre médicos que tenham dúvidas em relação à doença com experientes Hansenologistas brasileiros.

A plataforma foi lançada pela Aliança Contra Hanseníase (AAL, na sigla em inglês – Alliance Against Leprosy), de maneira inédita. Chamada de DOCHansen e financiada pela Ordem de Malta Internacional contra a Hanseníase, a ferramenta nasceu da cooperação técnica da AAL com a Secretaria do Estado da Saúde de Mato Grosso.
A Dra. Laila de Laguiche, médica hansenologista e presidente da Aliança Contra Hanseníase, acredita que as teleinterconsultorias aos médicos poderão ser de grande impacto para a qualidade no atendimento aos pacientes.
Dados da última pesquisa realizada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta que o Brasil é o segundo país no mundo com mais casos novos de hanseníase (28.660), ficando apenas atrás da Índia (114.400) no ano de 2021.
Apesar da incidência de casos ser alta no Brasil, existe uma carência de especialistas na área. Segundo o médico e embaixador do DOCHansen, Dr. Francisco Almeida, os participantes das capacitações possuíam muitas dúvidas em relação à doença, seu diagnóstico e evolução, além de um crescente número de trocas de informações sensíveis, incluindo imagens de pacientes, em grupos informais de WhatsApp.
Como funciona
O DOCHansen funcionará, nesta fase piloto, em nove cidades do Mato Grosso: Barra do Garças, Guarantã do Norte, Lucas do Rio Verde, Juara, São José do Rio Claro, Pontal do Araguaia, Alta Floresta, Tangará da Serra e Cuiabá. Além de uma cidade do Paraná, em Ivaiporã.
O médico que foi convidado para participar do DOCHansen e tiver cadastro na plataforma Medicina Direta, ao atender a um indivíduo com suspeita de hanseníase ou que se encontre em tratamento, ou que tenha recebido alta estatística, mas que permaneçam em acompanhamento, poderá acessar a plataforma DOCHansen, inserir sua dúvida, por meio do preenchimento de formulários, e, em até 72 horas, receberá a resposta do médico consultor.
Todo o contato será realizado via plataforma, evitando o vazamento de informações em grupos sociais sem a proteção de dados sensíveis, que é uma exigência do CFM (Conselho Federal de Medicina).
Os profissionais que usarão a plataforma estarão localizados, principalmente, nas UBS (Unidades Básicas de Saúde). O início das atividades na Plataforma, estará em consonância com as Resoluções do CFM.
A ferramenta tecnológica é homologada pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) e pelo próprio Conselho de Classe. A equipe de gestores do DOCHansen acredita que, de acordo com a demanda, mais consultores poderão colaborar com a iniciativa.
O requisito será a comprovação de atuação na especialidade por pelo menos seis anos ou deter o título de especialista em Hansenologia por no mínimo três anos. O desejo da presidente da Aliança Contra Hanseníase, Dra Laila de Laguiche, é que os médicos consultores, que são especialistas em hanseníase, sejam mais valorizados frente ao mercado de trabalho e tenham uma remuneração por sua atuação no DOCHansen.
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