Pregão continua, mas espera por anestesistas está longe do fim
Crianças com câncer precisam desses profissionais para dar andamento ao tratamento de radioterapia
O processo para contratação de anestesistas para o HUMAP (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian) está em andamento, mas a espera das famílias de crianças em tratamento contra o câncer, que aguardam, há meses, pela radioterapia ainda está longe do fim.

Na tarde desta quarta-feira (6) foi realizada uma sessão pública online restrita ao hospital e empresas interessadas na licitação. O objetivo era validar as propostas. Um processo burocrático, feito em várias etapas.
A chefe do setor de Administração do HU, Danielle Gomes Miranda, detalhou que a sessão foi reaberta para notificar as empresas sobre possíveis pendências. “Elas têm o prazo de duas horas e dentro dessas horas precisam sanar todas as questões. Se não conseguirem, o sistema fecha e aí outra sessão é aberta para que sejam convocados os segundos lugares de cada grupo e inicie novamente as análises”.
Três das nove empresas que participaram do processo se encaixam nos pré-requisitos. Nenhuma delas é do Estado. Elas apresentaram lances que variam de R$ 2,3 mil a R$ 2,6 mil por plantão de 12 horas.
Como o pregão foi dividido em lotes, mais de uma empresa pode ser contratada para atuar em vários locais, como Central de Exames e Centros Cirúrgicos.
O processo de licitação será encerrado em duas semanas. Mas o prazo para resolver de vez o problema da falta de médicos anestesistas deve ser ainda maior. Isso porque depois de firmarem contrato, as empresas contratadas terão o prazo de dez dias úteis para iniciarem as atividades.

Ainda segundo a chefe do setor de Administração do HU, por se tratar de um hospital público o processo licitatório é moroso porque além das fases pertinentes a unidade de compras e licitações existem autorizações da Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) que administra a unidade, rito que leva tempo.
Segundo o hospital, a falta de médicos anestesistas vem desde 2013, quando o HUMAP passou a contratar por meio de concurso público e licitação, como determina a lei.
O hospital fez três concursos e três processos seletivos, mas as vagas não foram preenchidas. Em março de 2020, uma empresa do Rio de Janeiro venceu a licitação para prestar o serviço. Mas essa empresa está com quadro reduzido, de apenas quatro profissionais e não consegue contratar especialistas daqui.
O HUMAP tem hoje 17 anestesistas concursados com 24 horas semanais. Essa quantidade, segundo o hospital, inviabiliza o atendimento. O ideal, de acordo com o hospital, seriam, no mínimo, mais 21 médicos com a mesma carga horária, ou uma equipe terceirizada que faça 42 plantões semanais.
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O problema veio a público quando crianças com câncer ficaram sem radioterapia em consequência da falta desses profissionais. Os mais novos precisam ser sedados para que o procedimento seja realizado com eficácia. É um protocolo de segurança, para que a criança fique imóvel.
A gerente de atenção à saúde do HUMAP, Cláudia Lang, enfatiza que o hospital não é referência no atendimento de oncologia infantil e o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul afirma não ter recebido denúncias sobre a falta de anestesistas na cidade.
Segundo o presidente do Sinmed-MS, Marcelo Santana, o Estado tem 263 anestesistas, dos quais 169 atuam na Capital. Ainda segundo ele, o problema é administrativo entre hospitais e empresas contratadas.
Enquanto o problema não é resolvido, as famílias esperam ansiosamente pela continuidade do tratamento das crianças. É o caso de Raabe, de 3 anos, que, segundo a mãe, aguarda há 5 meses por um profissional para fazer radioterapia.
“A gente entra em desespero né, já não é fácil lidar com o câncer e ainda sem profissional é mais difícil ainda, a cabeça da gente vai a mil”, declara Ana Clara Oliveira. “Ficamos com medo de voltar o câncer até porque o câncer não espera”.
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