SER ou TER - Eis a Questão
Quando, e equivocadamente, se pensa em ter mais do que ser, perde-se a oportunidade de eternizar uma bela história
Nossos caminhos são feitos por nós mesmos, mas a idealização deles, ou seja, dos nossos caminhos, são feitos por nós e por outros, geralmente, em primeiro lugar, por nossos pais, mais tarde por pessoas que fazem parte das nossas vidas e assim que começamos a entender melhor o mundo, a incumbência passa a ser nossa.
Como idealizamos os nossos caminhos gera em nós uma grande responsabilidade, levando-se em conta que somos pessoas responsáveis, pois quando não somos, não há idealização própria dos nossos caminhos, nem preocupação com qualquer idealização que venha de outra pessoa.
Vamos agora partir da premissa de que idealizamos nosso caminho, que encaramos isso com responsabilidade, que nos preocupamos com nosso futuro. Assim sendo, agimos então em busca de nossas metas a partir do presente, do aqui e agora, visando a um futuro com paz e condições de sobrevivência num mundo instável, que não nos permite prever como será mais à frente.
Por outro lado, sabemos que somos todos falíveis, passíveis de erro, mas também, sabemos que um ou mais erros não necessariamente impossibilitam que alcancemos nossos objetivos, desde que permaneçamos firmes em nossa busca. O ideal é que queiramos ser alguém representativo dentro dos diversos segmentos sociais que existem, como família, grupos de amigos, colegas de estudo ou de profissão, grupos religiosos e outros tantos. Digo isso porque cada família é um universo no mundo e seremos representativos se, de alguma forma, fizermos parte de uma história positiva dentro dela.
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A história se faz com aquilo que se é, porque o que se tem são apenas números, que se perdem no caminho. Quando, e equivocadamente, se pensa em ter mais do que ser, perde-se a oportunidade de eternizar uma bela história. Ter é fazer patrimônio, é colecionar fortuna, é respirar poder e, muitas vezes, sobrepujar os menos favorecidos. Ser é mais, é, acima de tudo, exemplo, é empatia, é altruísmo, é história.
Não há necessidade de ser o melhor, apenas de ser. É claro que ser não é pouco, há necessidade de esforço para ser satisfatoriamente bom e alguns precisam se esforçar um pouco mais que outros para isso. O ideal é que não haja necessidade de uma competição perversa e que as conquistas sejam alcançadas democraticamente. O ideal é viver bem, é buscar ser bom, sem a necessidade de querer ser o melhor, sem a necessidade de querer o pódio.
Quando alguém quer ser o melhor, ele perde a liberdade da vida, vive preso a uma competição desenfreada, que pode trazer alegrias ou tristezas. A obsessão pelo primeiro lugar gera desgaste e sofrimento. É bem sabido que hoje a sociedade busca por cumprimento de metas e produtividade. As empresas premiam os bons funcionários, que, para elas, são aqueles que vendem mais e isso faz que muitos não se contentem apenas em ser bons, querem ser os melhores, mas como falamos antes, isso é desgastante. O indivíduo tem que dar o melhor de si, não mais. Isso não significa ser o melhor, significa ser responsável e o responsável é alguém representativo.
Sempre haverá no mundo aqueles mais privilegiados, que vão criar coisas novas, fazer novas descobertas, tornar-se grandes atletas, mas isso é a minoria. A maioria de nós quer apenas ser responsável, desempenhar tudo que nos compete da melhor maneira possível. Não devemos sofrer ou ficar insatisfeitos se não formos os melhores.
Não necessitamos do pódio, desde que sejamos representativos para nós e para os nossos. Assim viveremos em paz, porque o que importa é Ser, o que não nos impede de Ter aquilo que está ao nosso alcance.

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Comentários (1)
Coluna esclarecedora que nos permite aprender a valorizar o que realmente tem valor. O ter é importante até porque vivemos num mundo material, mas o ser, ah o ser esse sim nos teletransporta para águas mais tranquilas e nos ensina a olhar para o nosso interior e nos enxergar como seres singulares que somos.