Sesau apura denúncia de transfobia envolvendo médica em UPA de Campo Grande

Secretaria afirma que "medidas já em andamento" e que a pasta "não compactua com discriminação"

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou que está apurando a denúncia de transfobia que uma médica, que é travesti, afirma ter sofrido após assumir o plantão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino, em Campo Grande. A situação ocorreu neste domingo (12) e virou caso de polícia após a profissional ser expulsa do plantão por uma superior.

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Fachada da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande. (Foto: Divulgação Sesau)

“A Secretaria Municipal de Saúde informa que apura relato de possível conduta discriminatória registrado em 12 de abril de 2026, com medidas já em andamento. A Pasta reforça que não compactua com discriminação e que preserva a identidade dos envolvidos, conforme a LGPD.”

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De acordo com o boletim de ocorrência, o desentendimento começou em meio a um cenário de desorganização e superlotação da UPA. Sobre essa situação, a Sesau afirma que “há um aumento na demanda por atendimentos nas unidades de urgência e emergência, em razão da sazonalidade de doenças respiratórias”.

“As medidas adotadas seguem diretrizes do Ministério da Saúde, com monitoramento contínuo, adequação de fluxos e apoio de equipe médica móvel.”

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Entenda o caso

A médica acionou a direção técnica da UPA para avaliar as condições de trabalho e a falta de materiais, e afirma que foi recebida de maneira desrespeitosa, inclusive sendo chamada reiteradas vezes por pronomes masculinos, mesmo após correções explícitas.

De acordo com o boletim de ocorrência, a médica responsável pelo plantão na UPA Coronel Antonino relatou que assumiu o atendimento no início da tarde, encontrando o setor em situação crítica, com diversos pacientes em estado grave distribuídos entre as salas vermelha e amarela.

Ainda segundo o relato, o fluxo intenso de atendimentos, incluindo casos encaminhados por serviços de emergência, dificultava a assistência simultânea aos pacientes.

Durante o atendimento de um caso grave de choque séptico, a profissional descreve falhas estruturais que teriam comprometido a segurança do procedimento. Entre elas, a indisponibilidade de equipamentos adequados para ventilação mecânica. Um dos dispositivos utilizados teria se desmontado durante uma tentativa de ventilação após intubação, obrigando a equipe a improvisar com um equipamento pediátrico para manter o paciente estável.

A situação se agravou quando, já durante o manejo clínico, houve a necessidade de troca do tubo de intubação após dano acidental. Nesse momento, a médica acionou a direção técnica da unidade para avaliar as condições de trabalho e a falta de materiais.

Segundo a denúncia, ao chegar ao local, a superior hierárquica teria iniciado uma abordagem considerada inadequada, sem buscar informações prévias sobre o quadro clínico. A profissional afirma que foi chamada por pronomes masculinos, mesmo após correções explícitas. Ainda assim, segundo o boletim, o tratamento inadequado teria continuado, configurando, em tese, transfobia.

O conflito evoluiu para uma discussão mais intensa, terminando na expulsão da profissional do plantão. Conforme o registro, não houve formalização por escrito da decisão, apesar de solicitação, o que gerou impasse ético quanto à continuidade do atendimento, já que o Código de Ética Médica veda o abandono de plantão.

Diante da situação, a médica acionou a Polícia Militar ainda na unidade e, posteriormente, foi à delegacia para formalizar a ocorrência. Ela solicita investigação tanto pela possível discriminação de gênero quanto por eventual abuso de autoridade da superior. As investigações seguem em andamento.

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