Sexo faz falta?

Mas, afinal de contas, é prejudicial ou não a abstinência sexual?

É verdade, sexo não é tudo, mas com certeza é muito. Faz parte das necessidades fisiológicas dos seres vivos. O ser humano, talvez, dê a ele um toque a mais de importância, pois é o único ser vivo que ora mistura o desejo ao afeto e ora utiliza o desejo apenas pelo desejo. A procriação é o último objetivo do racionalismo humano; o prazer é o primeiro, se não o único.

Sexo é o tema da coluna de hoje (Foto: Pixabay / StockSnap)

O sexo mora na cabeça, disfarça-se de galanteios educados, de olhadelas sutis ou de olhares vorazes, de cima abaixo. O desejo de sexo ocupa o mesmo espaço da vontade de alimentar-se ou de hidratar-se. Isso quer dizer que fome, sede e sexo residem na mesma casa e trafegam a mesma estrada, a via do centro de recompensa cerebral, usufruindo de dopaminas e ocitocinas, que inundam a mente e nos afogam de prazer. São três necessidades fisiológicas, que quase nos enlouquecem se nos faltam.

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Mas, será isso mesmo? É claro que assim como existem aquelas pessoas que têm muita fome ou que têm pouca fome, que têm muita sede ou que têm pouca sede, também há pessoas que têm muito desejo sexual e outras que têm pouco desejo, sem que isso seja considerado anormal, a não ser que a grande ou pequena libido sejam de considerável monta, ou seja, que fujam da normalidade presumida, que se estabelece dentro de uma frequência estendida, que vai de uma vez ao dia até uma vez a cada quinze dias, isso para pessoas acasaladas, uma vez que para as solteiras, tudo depende do ritmo e da disponibilidade de cada um dos parceiros.

Para estes, no entanto, a masturbação pode diminuir um pouco a necessidade do ato em si, quando este não lhes é suficiente.

Mas, afinal de contas, é prejudicial ou não a abstinência sexual?

A resposta é que precisamos comer e beber todos os dias e não é a mesma coisa para o sexo. Este tem apenas uma frequência presumida, não uma regularidade estabelecida, deve ser realizado de acordo com o ritmo determinado pelo casal e, muitas vezes, cada um dos parceiros tem sua própria ideia em relação à frequência sexual, o que pode trazer alguma dificuldade no relacionamento, mas nada que não seja passível de solução e adequado, nem para muito mais, nem para muito menos.

Por outro lado, alguns estudos pontuam que a frequência de duas a três vezes por semana pode trazer grandes benefícios à saúde física e mental, além de equilibrar a secreção hormonal corpórea, desde que o orgasmo seja alcançado.

Este benefício seria para todos os gêneros, maior, porém, para as mulheres.
Nos casos notadamente fora da média, há, certamente, algum grau de sofrimento do casal, que desloca este sofrimento para outras para outros órgãos ou interesses, passando a ter queixas de quadros dolorosos crônicos, insônia, irritabilidade, lapsos de memória, compulsões alimentares, obesidade, ansiedade, depressão, abuso de álcool, etc.

Quando surge um ou mais destes sintomas, há necessidade de procurar ajuda. Dentre os profissionais capacitados para isso, estão os médicos endocrinologistas, ginecologistas, urologistas e psiquiatras, além dos psicólogos.

Mas, a pergunta que não quer calar: afinal de contas, sexo faz falta? Abstinência de sexo prejudica a saúde? Claro que sim. Como falamos antes, sexo é uma das necessidades fisiológicas, porém como todas elas, não deve ser pouco nem muito, deve caber no ritmo de cada casal.

Quando estamos atravessando problemas desta natureza, infelizmente, evitamos falar do assunto e quando o fazemos, escondemos a verdade, porque todos aqueles que fazem parte do nosso círculo de convivência parecem desfrutar de uma vida sexual frequente e prazerosa, segundo suas próprias palavras, que, também, muitas vezes, não são verdadeiras.

Com certeza, não é um assunto a ser partilhado com todos, talvez com amigos mais chegados, todavia, principalmente com profissionais especializados e, é claro, dentro do próprio relacionamento doméstico. Enfim, não devemos esquecer: sexo não é tudo, mas com certeza é muito.

12/06/2023

Este conteúdo reflete, apenas, a opinião do colunista Saúde Mental, e não configura o pensamento editorial do Primeira Página.

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