Você é pai ou amigo de seu filho?
O bom pai não deve apenas passar a mão na cabeça do filho, não deve dar o peixe, mas ensiná-lo a pescar
Quando abordamos um pai e lhe fazemos a seguinte pergunta: Você é pai ou amigo do seu filho? Muitos vão responder: Sou pai e amigo do meu filho; uns dirão: Sou mais que pai, sou amigo; alguns falarão sou mais que amigo, sou pai; outros talvez respondam: Sou apenas pai. Respostas iguais provavelmente teremos com as palavras da mãe. Mas, qual seria a resposta correta? Será que ela existe?

Biologicamente falando, pai é aquele ser que apesar de não ter nascido com este substantivo, veio ao mundo com esta possibilidade encrustada na sua história de vida, com a capacidade de transferir seu DNA a outro ser e assim gerar uma nova vida, a que vai chamar de filho.
Os genes de um circulam no corpo do outro. Existe uma conexão quase telepática, existe carinho, cuidado, atenção, amor incondicional, que vai além do amor próprio, é o amor ao próprio filho. Tudo fruto da união de cada momento de seu crescimento, cada passo, cada sorriso, cada choro, cada noite mal dormida, cada palavra pronunciada, cada dente que cai, cada novo dente que nasce.
Muitas vezes não compartilhamos dos mesmos genes, quando estamos diante dos “filhos do coração”, cujo apego se desenvolve da mesma maneira, eles são frutos do vínculo afetivo forte, que substitui a genética pela força do afeto. Costuma-se dizer, que quando chega um filho, nasce um pai, quer tenha vindo do útero ou do coração.
Pai acompanha, cuida, ensina, acredita, elogia quando o filho se faz merecedor, mas também desconfia, briga, castiga, quando necessário. O amigo, por sua vez, é aquele conhecido há pouco ou muito tempo, alguns desde criança, outros que talvez um dia tenham sido apenas colegas e que passaram à condição de maior intimidade, frequentando nossa casa, emprestando mais o ouvido para nos ouvir e nos fazendo ser todo ouvidos para escutá-lo; apesar de tudo isso, não carrega nosso sangue em suas veias, nem foi acolhido pelo sangue que jorra em nosso coração.
Entre amigos, o amor pode ser forte, próximo daquele dispensado espontaneamente a um filho, mas as atitudes dirigidas a um e a outro não são as mesmas. Pai é pai, amigo é amigo. Chega a parecer-nos parecidos, mas não são semelhantes. Por vezes, parece que as figuras se sobrepõem, mas na verdade há uma distinção, ainda que sutil, entre eles.
O pai pode ouvir o filho, sair com ele a passeio ou a negócios, trocar algumas confidências, dar conselhos baseados em sua experiência de vida e em possíveis erros que tenha praticado na vida, pode chorar pelo sofrimento do filho ou por seu próprio sofrimento, pode transmitir paz, calma, preocupação e muito mais, o que não faz dele um amigo, mas um bom pai.
Também não quer dizer que um bom pai seja apenas para falar o que o filho quer ouvir, ele também ensina, repreende, castiga por meio de reforços negativos, ensina que a vida pode lhe trazer tropeços, que ele vai ter erros e acertos, vitórias e derrotas e que precisa aprender com tudo isso, aceitar os bons e maus momentos.
O bom pai não deve apenas passar a mão na cabeça do filho, não deve dar o peixe, mas ensiná-lo a pescar, a fazer seu prato, a lavar sua louça; desde cedo é preciso aprender que nem sempre as coisas vêm prontas.
Como já pontuamos antes, o pai nem sempre é biológico, às vezes é do coração, não carrega o sangue do filho, mas é como se carregasse. Ainda assim, ele não é amigo, é pai. O pai é aquele, que carrega o filho alcoólatra, que brinca com ele, que canta, mesmo que não tenha uma voz melodiosa.
O papel do pai é fundamental na formação e desenvolvimento do filho. Não há necessidade de receita para isso, apenas de bom senso. As ações do pai dentro e fora de casa são mais importantes do que palavras. Devemos ser exemplos positivos, que eles certamente seguirão.
A pergunta volta à cena: Você é pai ou amigo do seu filho?
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