3 são réus por assassinato no Inferninho em Campo Grande
A 2ª Vara do Tribunal do Júri mandou citar os réus para apresentar defesa prévia, por escrito, pela acusação da morte de Gleison da Silva Abreu, assassinado aos 25 anos
Três homens são réus por uma morte que aconteceu em maio de 2020, em Campo Grande, cuja investigação desvendou outros crimes, provocando até um suicídio.
O desfecho do caso se tornou conhecido agora, quando a 2ª Vara do Tribunal do Júri mandou citar os réus para apresentar defesa prévia, por escrito, pela acusação da morte de Gleison da Silva Abreu, assassinado aos 25 anos.

A vítima foi achada sem vida nas pedras da Cachoeira do Inferninho, em 1º de Maio de 2020. Para a polícia, foi jogado do penhasco, de 30 metros de altura.
A cargo da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios), o inquérito foi concluído no ano passaado pelo delegado Carlos Delano, apontando que Gleison foi vítima de uma trama envolvendo golpe financeiro. Estava sendo ludibriado com a expectativa de receber R$ 150 mil, a partir de investimento de R$ 15 mil, e perto da data do pagamento esperado, acabou sendo atirado do precipício.
O mentor, Leandro Pereira Florenciano, de 37 anos, teve a ajuda de mais duas pessoas, conforme a investigação, para encobrir provas do homicídio.

Com os dados da peça policial, a promotoria denunciou os três homens e o juiz Aluízio Pereira dos Santos, recebeu a acusação, determinando a citação dos acusados. O prazo está em curso.

São réus:
- Leandro Pereira Florenciano, 37 anos, réu por homicídio duplamente qualificado, por traição e para acobertar outra infração penal.
- Agnaldo Freire de Mariz, 50 anos, enquadrado no artigo 348 do Código Penal, que pune quem acoberta crimes.
- Leonardo Kammer da Silva, o “Leo do Pastel”, 32 anos, também pelo artigo 348.
Outros crimes
Leandro está em liberdade, assim como “Leo do Pastel”. Agnaldo cumpre pena por que já tinha condenações. Em maio de 2021, durante operação da DEH como parte desse inquérito, foi preso em flagrante com cocaína.
A ficha dele tem várias outras anotações. Na época da morte de Gleison, era monitorado por tornozeleira, fato que também ajudou nas investigações.
No mesmo dia, Leandro Pereira Florenciano foi preso por estupro, de uma criança de 9 anos de sua convivência e do ex-companheiro dele, Emerson Borcheidt, 33 anos.
Emerson cometeu suicídio na data dessas diligências, depois que o caso de abuso de criança veio à tona.
Por esse crime, Leandro foi condenado à pena de oito anos, na modalidade omissiva. Isso quer dizer que existiu a violência, e mesmo que Leandro não tenha sido o responsável direito, não impediu nem denunciou. A ação penal está em fase de apelação e por isso ele responde livre.
Mentiras
Para tentar se esquivar da culpa, depois que Emerson morreu, Leandro Pereira Florenciano passou a culpá-lo pela morte de Gleison.
Disse que estava se relacionando com o rapaz, e Emerson havia descoberto. Na versão dele, foi com a vítima até o Inferninho para namorar e o companheiro descobriu, foi ao local, discutiu com Gleison e o empurrou.
Essa versão é apontada como mentira, diante das descobertas feitas pela equipe policial a partir de quebras de sigilo telemático, telefônico, de monitoramento do que os investigados faziam e onde foram nos dias próximos do homicídio, e de mais de duas dezenas de testemunhas.
Foi identificado que Leandro Pereira Florenciano geria a vida financeira de Gleison, prometendo lucros irreais, em um esquema de pirâmide financeira.
Conforme o relatório das investigações, Leandro tinha o monitoramento da conta bancária de Gleison, cujo acesso ao internet banking era feito do computador do acusado. Em relação à conta do Google, onde fica registrada a vida virtual do internauta, o e-mail de recuperação de senha de Gleison destinava para um endereço de Leandro Pereira Florenciano.
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A DEH relatou existência de uma empresa voltada a massagens masculinas em nome de Gleison mas no endereço onde Leandro morava, no bairro Guanandi.
Quando a morte foi descoberta, Leandro disse estar fora de Campo Grande, levando o pai a Cuiabá (MT), estado de origem da família. Ele foi para o estado vizinho, porém em dias anteriores, levantou a polícia. Checagem na empresa onde foi alugado carro para a viagem desfez a história contada.
A geolocalização via celular colocou Leandro e os comparsas em cenários ligados ao crime. Os dois homens, indica o inquérito, ajudaram, por exemplo, a sumir com a motocicleta da vítima, que foi encontrada desmontada, no fim do mês de maio de 2020.
À coluna Capivara Criminal, que contou esse enredo neste domingo (19), o advogado de Leandro, Gustavo Scuarcialupi, disse não haver provas contra o cliente de violência sexual. A defesa está recorrendo da sentença.
Sobre a acusação pelo assassinato de Gleison, deixou para manifestar quando for notificado a apresentar a defesa por escrito à 2ª Vara do Tribunal do Júri. Não foram localizados os advogados dos outros dois envolvidos.