Pai e filho viveram momentos de tensão após a residência onde moram, na Vila Albuquerque, ser cercada pelo fogo na madrugada desta sexta-feira (24), em Campo Grande. O idoso, de 96 anos, é acamado e tem Alzheimer. Ele foi carregado pelo filho após serem acordados pelos bombeiros que atuavam no combate às chamas. Graças à ação rápida dos militares, o incêndio não terminou em tragédia.
Vegetação em chamas próximo à residência da família. (Foto: Divulgação)
Segundo a Tenente Nalva Souza, que comandou a operação e estava na primeira viatura a chegar ao local, o fogo era intenso e havia muita fumaça. As chamas se alastraram rapidamente e avançaram em direção à casa das vítimas, nas proximidades da Avenida Interlagos.
Vídeos do incêndio mostram o fogo alto e o vento forte, que contribuía para a intensificação das chamas. Mesmo com a baixa visibilidade, a tenente conseguiu avistar uma luz ao longe e suspeitou que pudesse ser uma residência.
Como a casa estava isolada e cercada pelo fogo, a oficial e outro militar pularam uma cerca para chegar até o imóvel.
“Tínhamos acabado de sair de outra ocorrência e, por sorte, estávamos próximos, o que permitiu uma resposta rápida. O fogo já estava ao redor de toda a casa. Pedi apoio de outras equipes e consegui acessar a residência. Pulei a cerca e, ao bater na porta, fui recebida pelo filho do idoso. Eles dormiam e não tinham percebido a gravidade do incêndio. Orientei que saíssem imediatamente. O filho carregou o pai até a viatura e eu os levei para fora da área de risco.”
Tenente Nalva Souza.
A militar explicou que a ação rápida foi essencial para evitar que o idoso inalasse fumaça, já que, além do Alzheimer, ele também é portador de enfisema pulmonar. O resgate emocionou os militares envolvidos na ocorrência.
Vegetação em chamas próximo à residência da família. (Foto: Divulgação)
“Eles saíram apenas com a roupa do corpo e, o filho, com o pai nos braços. Não houve tempo de pegar nada. Enquanto isso, a equipe de combate a incêndio já estava atuando. Foi muito gratificante poder ajudar. O pai e o filho ficaram dentro da viatura enquanto nossos militares realizavam o trabalho.”
Tenente Nalva Souza.
No local do incêndio, além da residência, havia também uma loja de veículos usados. Diante da gravidade da situação, as equipes precisaram empregar técnicas específicas para proteger os imóveis. Um dos bombeiros envolvidos é especialista em combate a incêndios florestais.
Casa das vítimas ao fundo da imagem. (Foto: Divulgação)
“A situação era muito complexa e precisei pedir reforço. O fogo avançou rapidamente, destruindo tudo ao redor. Fizemos o possível para preservar as edificações e, principalmente, as vidas. No total, foram empregados 11 militares e cinco viaturas. Foi emocionante ver a dedicação e o empenho de todos os meus colegas. São profissionais que fazem isso por amor. Todo o mérito dessa ocorrência é da guarnição empenhada.”
Tenente Nalva Souza.
Conforme a tenente, o fogo se alastrou rapidamente devido à grande quantidade de vegetação seca e de lenha presente no local, além do vento forte registrado durante a madrugada.
Ao final da ocorrência, com a casa preservada e o local seguro, as vítimas foram levadas pela equipe do Corpo de Bombeiros para a casa de parentes, por precaução, devido à fumaça ainda presente no ambiente. As causas do incêndio ainda não foram identificadas.
De janeiro a outubro deste ano, o Corpo de Bombeiros já atendeu 4.260 ocorrências de incêndio em vegetação em todo o Estado. Somente em Campo Grande, foram registradas quase 1.800 ocorrências no mesmo período. Em algumas delas, residências chegaram a ser consumidas pelas chamas.
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