Advogados e condenado: os presos por tráfico e corrupção em presídios de MS
Força-tarefa da Operação Blindagem cumpriu, ao todo, 35 mandados de prisão preventiva e 41 mandados de busca e apreensão em 11 cidades
Mais de dez pessoas foram presas nesta sexta-feira (7), só em Campo Grande, durante a Operação Blindagem, que investiga o controle exercido por uma organização criminosa de dentro dos presídios de Mato Grosso do Sul.

Entre elas está a advogada Brenda Yasmin Martins de Freitas, que teve o celular apreendido, além do casal Selma Nunes Roas e Alexsandro Nunes, capturados no Bairro Tijuca. Na casa deles foram apreendidos uma arma de fogo calibre 38 e munições.
Outro preso é velho conhecido da polícia e do judiciário de MS: Tiago Paixão Almeida, o “Boy”. Tiago Paixão foi levado a julgamento em junho de 2023 pela execução de Luiz Felipe da Silva, de 22 anos.
Ele foi inocentado pelo assassinato, mas acabou sendo condenados a 8 anos de prisão por tráfico de drogas, já que o crime ocorreu em meio à disputa pelo domínio do tráfico no Jardim Tijuca, onde ocorreu o crime.
Também foram presos Johan Fabiano Costa Lescano, Michel Lescano dos Santos e um outro advogado, capturado em Bonito.
Eles foram encaminhados para a Depac Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Integrado de Polícia). Pelo menos 8 suspeitos estão no local, apurou a reportagem.
O que dizem as defesas
À reportagem, Rauane Mendes, advogada de Brenda, disse “que confia na justiça e a que sua cliente não está envolvida em nenhuma organização criminosa”. Conforme a defesa da suspeita, Brenda é “advogada previdenciária”.
Já o advogado de defesa do casal, Marcos Ivan, disse que “ainda não teve acesso ao processo e que confia na justiça e na inocência dos clientes”.
A reportagem não conseguiu contato com as defesas de Michel, Tiago e Johan. O espaço segue aberto.
Mandados cumpridos
Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de prisão preventiva e 41 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Aquidauana, Sidrolândia, Jardim, Bonito, Ponta Porã e Corumbá, além das cidades de Porto Belo (SC), Balneário Piçarras (SC), Itanhaém (SP) e Birigui (SP).
Os detidos são suspeitos de tráfico interestadual de drogas, corrupção, comércio ilegal de armas, usura (agiotagem) e lavagem de dinheiro. O grupo contava, inclusive, com o apoio da alta cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital).
A investigação
As investigações, que duraram 25 meses, começaram após a apreensão do celular do líder do grupo, que utilizava o aparelho dentro de uma cela em um presídio no interior de Mato Grosso do Sul.
A partir do flagrante, equipes do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) descobriram o envolvimento de servidores públicos que facilitavam o acesso a celulares, repassavam informações sigilosas e garantiam benefícios a presos em unidades de segurança mínima.
De dentro do sistema prisional, os faccionados controlavam uma rede de colaboradores em Campo Grande, Aquidauana, Anastácio, Corumbá, Jardim, Sidrolândia, Ponta Porã e Bonito, além de integrantes em São Paulo e Santa Catarina.
A organização criminosa atuava em diversas frentes, enviando drogas para cidades do interior de Mato Grosso do Sul e para os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Acre, Maranhão e Goiás, utilizando diferentes métodos.

Entre as táticas usadas pelo grupo estavam o envio de drogas em fundos falsos de caminhões, misturadas a alimentos e acompanhadas de notas fiscais, para dificultar a fiscalização nas estradas. O grupo também fazia remessas por Sedex, utilizava os Correios, transportava drogas em veículos de passeio e utilitários, e até por meio de passageiros em vans.
Durante a investigação, foi constatada a associação da organização criminosa com membros da alta cúpula do PCC, com o objetivo de ampliar o tráfico e aplicar punições violentas a quem estivesse em débito com o grupo.
A força-tarefa apurou ainda que os criminosos praticavam extorsão mediante o uso de arma de fogo, violência e restrição da liberdade das vítimas, para forçar o pagamento de dívidas relacionadas ao tráfico e à agiotagem — outra atividade recorrente da organização.
As diligências em Mato Grosso do Sul contaram com o apoio operacional do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Especiais, da Força Tática e da Agepen (Agência Estadual de Administração e Sistema Penitenciário). Em São Paulo, o suporte foi dado pela Polícia Civil, e, em Santa Catarina, pelo Gaeco e pela Polícia Militar. A OAB/MS também acompanhou os trabalhos.
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