Após fuga de detentas, penitenciária feminina em Cuiabá entra em intervenção administrativa
A medida, conforme a pasta, tem como objetivo garantir o melhor andamento dos serviços operacionais e reforçar os procedimentos internos da unidade.
A Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso (Sejus-MT) decretou intervenção administrativa na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, após a fuga de duas detentas ligadas à facção Comando Vermelho, registrada no último domingo (17).

A medida, conforme divulgado pela pasta, tem como objetivo garantir o melhor andamento dos serviços operacionais e reforçar os procedimentos internos da unidade.
Com a intervenção, a diretoria do presídio foi substituída por uma nova equipe gestora, que assume a missão de corrigir falhas de segurança e ampliar o controle disciplinar.
Em nota, a Sejus esclareceu que as falhas relacionadas às fugas estão ligadas ao descumprimento de protocolos operacionais.
O caso está sendo investigado pela Corregedoria-Geral da secretaria e pela Polícia Civil, com o compromisso de total transparência.
“Os fatos ocorridos não têm justificativa. A Sejus não tolerará falhas nos processos de segurança e seguirá adotando medidas firmes para garantir a ordem, a disciplina e a integridade no Sistema Penitenciário”, informou a pasta.
As investigações devem apontar tanto a responsabilidade administrativa quanto criminal dos envolvidos no episódio.
A fuga
Angélica Saraiva de Sá, 34 anos, vulgo Angeliquinha; e Jéssica Leal da Silva, 36 anos, conhecida como Arlequina, fugiram da pentenciária feminina no dia 17. Ambas são consideradas de alta periculosidade e cumpriam penas por crimes de homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa.

A Corregedoria Geral e a Inteligência da instituição já iniciaram uma investigação interna para apurar as circunstâncias da fuga.
A Secretaria de Justiça reforçou que todas as medidas de segurança foram acionadas para localizar as presas e garantir a integridade da população e dos agentes penitenciários.
Angeliquinha é líder criminosa no Norte de Mato Grosso, condenada a mais de 250 anos de prisão e responde por homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa.
Já Arlequina é da região de Juína e responde por tráfico de drogas.
Críticas
A Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May já vinha sendo alvo de críticas antes mesmo da fuga das duas detentas, pela falta de efetivo e por problemas estruturais, como câmeras de monitoramento quebradas, apontados por especialistas como reflexos da fragilidade do sistema prisional no estado.
Conforme a entidade, a unidade prisional opera, atualmente, com apenas nove agentes por plantão para vigiar mais de 500 detentos e detentas, proporção considerada “inadmissível” frente às normas nacionais.
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