Apreensão de 469 kg de cocaína em MT revelou facção infiltrada no setor da carne, leilões de gado no Acre e tráfico internacional
Investigação da PF e Receita Federal aponta que grupo criminoso usava frigoríficos, leilões de gado e empresas do setor da carne para tráfico e lavagem de dinheiro.
Uma apreensão de 469 quilos de cocaína em Poconé, em Mato Grosso deu origem a uma investigação que revelou um esquema milionário de tráfico internacional de drogas infiltrado na cadeia da carne bovina no Acre.
A operação “Rota do Fim”, deflagrada nesta quarta-feira (27) pela Polícia Federal e Receita Federal, mira uma organização criminosa suspeita de usar frigoríficos, leilões de gado, postos de combustíveis e empresas ligadas ao agronegócio para lavar dinheiro do tráfico e transportar entorpecentes para estados do Nordeste.

As investigações começaram após o flagrante de uma carga com 443 tabletes de cocaína, além de porções de maconha, escondidos em meio a uma remessa de farinha de ossos e biscoitos. O carregamento saiu de Rio Branco (AC) e tinha como destino o Rio Grande do Norte.
Segundo a Receita Federal, a organização criminosa se infiltrou em toda a cadeia produtiva da carne bovina, desde fornecedores de gado até frigoríficos, empresas de distribuição e comercialização de produtos e subprodutos bovinos.
As empresas investigadas seriam usadas não apenas para ocultar o transporte da droga, mas também para movimentar recursos ilícitos e lavar dinheiro obtido com o tráfico.

De acordo com a investigação, o grupo movimentou cerca de R$ 200 milhões em recursos financeiros de origem ilícita, misturados a valores legais do setor da carne bovina.
A Receita Federal identificou indícios de empresas de fachada, blindagem patrimonial, uso de “laranjas”, simulação de atividade rural e distribuição fictícia de lucros e dividendos para esconder a origem do dinheiro.
Ao todo, a operação cumpre sete mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão nos estados do Acre, Rondônia, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Mato Grosso.
A Justiça também determinou o bloqueio de 25 imóveis, 25 veículos, valores em contas bancárias e rebanhos bovinos ligados aos investigados.
Segundo a Receita Federal, a operação busca desarticular a atuação da organização criminosa e impedir o uso de setores formais da economia para financiar o tráfico internacional de drogas e a lavagem de dinheiro.
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