Arma que matou advogado em Cuiabá foi usada para assassinar PM, diz MP

Perícia identificou que a mesma arma foi usada em dois crimes com participação de policiais militares

A pistola usada para matar o advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, em julho de 2024, em Cuiabá, também foi usada no assassinato de um policial militar dias depois. A informação consta na denúncia oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que aponta a conexão entre os dois homicídios como um dos indícios da atuação de uma organização criminosa com estrutura e partilha de recursos.

Advogado Renato Nery foi alvo de atentado e morreu em julho na capital. (Foto: Reprodução)(Foto: Reprodução)
Advogado Renato Nery foi morto em julho do ano passado, em Cuiabá. (Foto: Reprodução)

Segundo o MP, a arma foi utilizada na morte do PM Walteir Lima Cabral, ocorrida durante uma suposta perseguição policial três dias depois, no Bairro Pedra 90, na capital, que resultou na morte de Walteir e na tentativa de execução de Pedro Elias Santos Silva e Jhuan Maxmiliano de Oliveira Matsuo Soma.

A cena do segundo crime foi alterada pelos policiais para simular um confronto armado, mas as vítimas estavam desarmadas, conforme a denúncia. A conexão balística entre os casos reforça, segundo os promotores, a gravidade do esquema criminoso, que envolvia a contratação de PMs para assassinatos sob encomenda.

O crime contra o advogado teria sido motivado por uma disputa de terras e foi encomendado pelos empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos, de Primavera do Leste.

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Empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos(Foto: Primeira Página)

Três dias após a conclusão do inquérito da Polícia Civil, o MP denunciou dois dos acusados: o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, apontado como coordenador do crime, e o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, executor dos disparos. Ambos foram denunciados por homicídio qualificado, fraude processual e organização criminosa. Heron também responde por abuso de autoridade.

7 policiais investigados

Segundo a Polícia Civil, dez pessoas estão presas por envolvimento no caso — entre elas, sete policiais militares. O crime foi planejado com antecedência, com monitoramento da rotina da vítima, atuação de intermediários e tentativas de acobertamento. Alex trocou de aparelho celular diversas vezes após o homicídio, destruiu objetos ligados à execução e tentou ocultar a moto usada na fuga.

A denúncia também ressalta o risco à coletividade: Renato Nery foi morto em via pública, em plena luz do dia, com rajadas de uma arma de alto poder ofensivo, o que, segundo os promotores, caracteriza perigo comum e absoluta ausência de respeito à vida.

O assassinato do advogado Renato Nery, de 72 anos, foi planejado por meses e executado com a participação de pelo menos dez pessoas, entre elas sete policiais militares. Nery foi morto com sete tiros em julho de 2024, ao chegar de carro ao seu escritório, em Cuiabá.

O crime, segundo a investigação, teve como mandantes dois empresários de Primavera do Leste, César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos, que tinham uma disputa por terras com a vítima. Eles teriam pago R$ 200 mil ao sargento Heron Teixeira, da Polícia Militar, para organizar o homicídio.

Heron contratou o caseiro Alex de Queiroz Silva como executor. Com base na investigação da Polícia Civil, o PM monitorou a rotina do advogado e coordenou a ação. Alex fez os disparos com uma pistola Glock adaptada para rajadas.

pm e caseiro
O caseiro Alex Roberto de Queiroz e o PM Heron Teixeira Pena Vieira foram denunciados pelo MP. (Foto: Reprodução)

Após o crime, houve mobilização para ocultar provas, esconder a moto usada na fuga e até queimar objetos utilizados no assassinato. Seis PMs, além de Heron, estão presos por suspeita de envolvimento no plano — seja por intermediação do pagamento ou por participação no acobertamento do crime.

A Polícia Civil identificou ainda que a arma usada para matar o advogado pertence à Rotam, unidade de elite da PM, e já havia sido utilizada dias depois em outro homicídio com participação de policiais. Por isso, um novo inquérito foi aberto para rastrear a trajetória da pistola e descobrir como ela chegou às mãos do executor. A utilização da estrutura da corporação está sob apuração.

A Promotoria denunciou Heron, Alex e outros envolvidos por homicídio qualificado, organização criminosa e fraude processual.

Segundo o Ministério Público, o assassinato foi cometido mediante promessa de recompensa, com risco a terceiros, e dificultando a defesa da vítima — que era idosa. Todos os dez suspeitos identificados até agora estão presos.

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