"Arrastão" do Gaeco prendeu ex-presidiário com 9mm, ladra e suspeito de "tribunal do crime"

Ao todo, foram 67 ordens de prisão de suspeitos de integrar facção criminosa que ordena crimes de dentro das cadeias

A semana começou movimentada, em Campo Grande, com equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e das policias Civil e Militar nas ruas, cumprindo 67 mandados de prisão e 35 de busca e apreensão a operação “Sintonia”, deflagrada na manhã de segunda-feira (18), de combate à atuação de máfia dominada por presidiários.

Entre os alvos da ofensiva contra o crime organizado, foram para a cadeia suspeitos de participação em “tribunal do crime”, um ex-presidiário com ficha extensa, que estava armado com uma pistola 9mm, e também uma integrante da “gangue das mulheres”.  

Pistola 9 mm e munições apreendidas com comerciante alvo de mandados cumpridos durante a Operação Sintonia, em Campo Grande (Foto: Divulgação)
Pistola 9 mm e munições apreendidas com comerciante alvo de mandados cumpridos durante a Operação Sintonia, em Campo Grande (Foto: Divulgação)

Esse último grupo ficou conhecido após onda de furtos em lojas do Centro de Campo Grande. Na maioria das ações, quatro mulheres se juntavam para furtas produtos de dentro dos comércios e parte das ações acabou sendo flagrada por câmeras de segurança.  

Apontada como uma dessas suspeitas, Jéssica Pontes Milan, de 25 anos, foi presa no último sábado (16), na Praça dos Imigrantes, em Campo Grande, após ser abordada com duas bolsas cheias de produtos de cosméticos. O nome dela também estava entre os 67 listados em mandados expedidos pela 4ª Vara Criminal da capital.

Na audiência de custódia, no mesmo dia da ação do Gaeco, a prisão preventiva de Jéssica foi decretada.  

Outro alvo da operação, o comerciante Cristian Dias Chaves, de 31 anos. Ele foi preso por equipe do Batalhão de Choque da Polícia Militar, na manhã de ontem, na casa dos pais, na Vila Popular.  

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Conforme boletim de ocorrência registrado pela PM, ele era alvo de mandados de prisão e busca e apreensão. Primeiro, os policiais estiveram na casa da esposa de Cristian, que informou que o marido não estava morando mais no local.  

No endereço fornecido pela mulher, os policiais conseguiram cumprir o mandado de prisão e ainda encontraram uma arma de fogo dentro de um veículo BMW, que pertenceria ao suspeito. A pistola era um Glock modelo 9 mm e, além de estar carregada, estava guardada com carregador. Ao todo, 32 munições foram apreendidas.  

Gaeco em frente a local de busca
Veículo do Gaeco em frente a um dos locais onde foram cumpridos mandados na operação “Sintonia”. (Foto: Divulgação)

Aos policiais, Cristian alegou que andava armado para garantir sua própria segurança. Disse ainda, que desconhecia os motivos dos mandados expedidos contra ele e que teria comprado a pistola de um desconhecido, em Ponta  Porã, na fronteira com o Paraguai.  

Segundo ele, na ocasião, ele teria viajado até o município em uma van e comprado a arma por R$ 7 mil, à vista. Ele ainda confessou estar em livramento condicional por disparo de arma de fogo. 

Cristian, como levantado pelo Primeira Página, cumpriu pena de cinco anos. Um dos crimes foi homicídio. A prisão dele foi convertida em preventiva na audiência de custódia.

Outra mulher  

A Polícia Militar também esteve em residência na rua Enchova, no bairro Paulo Coelho Machado, onde cumpriu mandado de busca e apreensão em desfavor de Larissa Barbosa Pacheco de Souza Fartare. 

Durante buscas, os policiais encontraram uma arma calibre .32, em uma das gavetas do guarda-roupa do quarto de Larissa. O revólver cromado, tinha cabo de madeira e capacidade para seis balas. O armamento estava com a numeração raspada.  

A mulher, que trabalha como técnica de enfermagem, confessou que o revólver teria sido adquirido há cerca de duas semanas, como forma de pagamento por um programa sexual com um caminhoneiro.  

Ela afirmou ainda, que sua intenção era manter o revólver em casa, como forma de se proteger. Disse também ter ficado sabendo de uma pessoa desconhecida, que oferecia balas para seus filhos na rua e que, inclusive, teria tentado invadir sua casa, recentemente.  

Larissa teve a prisão preventiva decretada nesta quarta-feira.

Tribunal do crime”

A investigação do PP também descobriu que Gleyson de Sousa Rocha, conhecido como “Cabelo Duro”, foi preso pela ação do Gaeco. Ela estava em liberdade desde o ano passado, depois de ter sido preso como um dos envolvidos na morte de Frank de Lima Alvisso, de 49 anos.
As características do assassinato indicaram que Frank foi “punido” por causa de uma dívida em um bar, relacionada ao consumo de bebida. O valor não passava dos R$ 79.

Conforme a investigação, “Cabelo Duro”, foi um dos participantes do justiçamento, junto com outras quatro pessoas. Ele acabou solto e, na operação de ontem, foi preso sob a suspeita de ser uma das chefias da facção do lado de fora da cadeia. Cumpria, conforme apurado, a tarefa de “disciplina”, como são chamados os integrantes responsáveis por fazer os membros da máfia andarem de acordo com o “código” estabelecido pelos cabeças do grupo criminoso.

Frank Lima Alvisso foi morto aos 49 anos. (Foto: Reprodução Facebook)
Frank de Lima Alvisso foi vítima de assassinato e um dos presos em operação do Gaeco foi apontado como suspeito, porém foi colocado em liberdade no ano passado. (Foto: Redes Sociais)

O Gaeco não informou se conseguiu fazer todas as 67 prisões autorizadas pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande. De toda forma, os promotores têm agora 10 dias para apresentar a denúncia formal aos investigados, por crimes de formação de organização criminosa armada e associação para o crime, posse e porte ilegal de armas, entre outros.

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