Áudio de câmera inocenta filho suspeito de feminicídio da própria mãe em MS

Delegado responsável pelo caso pediu ao judiciário a revogação da prisão do rapaz

O jovem de 22 anos, preso por suspeita de participação na morte da própria mãe, ocorrida no dia 22 de fevereiro, em Coxim, poderá deixar a prisão após a polícia concluir que ele não cometeu o crime. O pai do rapaz e marido da vítima, identificado como Márcio Pereira da Silva, de 46, é apontado como autor do 3º feminicídio registrado em 2026 no estado.

feminicidio
Faca apreendida na casa em que o crime aconteceu (Foto cedida: Pedro Depetriz/ Coxim Agora)

De acordo com a Polícia Civil, Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, foi atingida por golpe de faca na região do abdômen. Devido à gravidade do ferimento, ela morreu ainda no local.

À época dos fatos, o delegado responsável pelo caso considerou o histórico de agressão que envolvia pai e filho, além de imagens de câmeras de segurança que registraram o movimento na região da casa da família. 

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Após serem presos, ambos passaram por interrogatório, mas apresentaram versões diferentes dos fatos. Com a investigação, ficou comprovado através do vídeo de monitoramento que a vítima estava viva às 3h17. Nesse momento, pai e filho estavam na residência. 

Em alguns momentos, o rapaz entra e sai do imóvel, mas deixa o local definitivamente às 3h30, quando uma das câmeras captou a seguinte fala do jovem: “meu pai acertou ela”. 

Mesmo com o ocorrido, o autor do crime só saiu para buscar ajuda às 4h17, 50 minutos depois da morte da vítima. A faca utilizada no feminicídio só foi encontrada no dia 5 de março, após uma segunda vistoria na residência. O artefato estava embaixo do sofá e possuía manchas de sangue. 

Com o depoimento de 23 testemunhas, entre familiares, vizinhos e policiais militares que atenderam a ocorrência, o delegado concluiu que o filho de Nilza não participou diretamente do crime. Por isso, foi pedido à Justiça a revogação da prisão dele. 

Já para o esposo da mulher foi representada a prisão preventiva, que ainda aguarda análise por parte do Poder Judiciário. A investigação deve ser concluída nos próximos dias, segundo a Polícia Civil.

O caso

Segundo a perícia, o golpe atingiu “de maneira profunda a artéria aorta”, causando uma hemorragia que matou a vítima em poucos minutos.

Outro fator reforçou a versão de que a vítima morreu ao tentar separar a briga entre o marido e o filho: os dois tinham se envolvido em uma discussão recentemente, com lesões graves e ameaças.

Ainda de acordo com a polícia, as investigações revelaram um núcleo familiar marcado pelo uso abusivo de álcool, com diversas intervenções policiais, em um ambiente com constantes desentendimentos e conflitos.

7 casos em 2026

Até o momento, Mato Grosso do Sul registrou sete crimes de feminicídio somente nos três primeiros meses de 2026. As vítimas possuíam idade entre 18 e 62 anos. 

  1. Josefa dos Santos – 44 anos – assassinada em 16/01 na cidade de Bela Vista
  2. Rosana Candia Ohara – 62 anos – assassinada em 24/01 na cidade de Corumbá
  3. Nilza de Almeida Lima – 50 anos – assassinada em 22/02 na cidade de Coxim
  4. Beatriz Benevides – 18 anos – assassinada em 25/02 na cidade de Três Lagoas
  5. Liliane de Souza Bonfim Duarte – 51 anos – atacada em 03/03 em Ponta Porã e morreu em 06/03
  6. Leise Aparecida Cruz, de 41 anos – assassinada em 06/03 em Anastácio
  7. Ereni Benites – 44 anos – assassinada em incêndio em 08/03 em Paranhos

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