“Bom dia, filha”: feminicida se passou por vítima para despistar morte
Edson Campos Delgado, de 43 anos, está preso em Anastácio
Depoimento publicado pela filha de Leise Aparecida Cruz, a sexta vítima de feminicídio de Mato Grosso do Sul, mostra detalhes da tentativa do assassino, Edson Campos Delgado, em simular uma morte natural. Depois do crime, o homem de 43 anos chegou a enviar mensagens como se fosse a esposa.

No texto publicado nas redes sociais, a filha de Leise narra a dor em descobrir a morte da mãe pelas mãos de Edson.
Segundo ela, na manhã de sexta-feira (6), às 08h30 da manhã, ela recebeu o bom dia habitual da mãe, com as mesmas palavras de todos os dias. Durante o dia, as duas trocaram poucas palavras. De noite, a mensagem veio de Edson. “Sua mãe está deitada, ela tá meio fraquinha ela. Liguei pro Samu e pro Bombeiros, eles estão vindo aqui.
Leise foi levada para o hospital. Às 01h58 de sábado (7), Edson avisou a família sobre a morte.
A partir daí, as mensagens enviadas por ele são todas no mesmo sentido: a esposa sofreu um infarto fulminante. “Repentinamente, ela partiu.” Para os amigos, falava de tristeza. Repetia que sequer conseguia dormir, que pensava no filho de apenas 3 anos.
Mas horas depois, o laudo da morte mostrou a verdade: Leise foi assassinada. Segundo os exames, a mulher de 41 anos estava morta desde as 7 horas, antes mesmo de poder enviar a mensagem habitual para a filha.
“Na sexta-feira, dia 06/03/2026, às 08h30 da manhã, recebi uma mensagem no WhatsApp da minha mãe, como ela sempre mandava no mesmo horário. Era exatamente como ela falava comigo todos os dias. Eu respondi normalmente, sem imaginar que quem tinha enviado aquela mensagem não era minha mãe… era o autor do crime. Ele usou as mesmas palavras que ela sempre usava, talvez tentando despistar, talvez tentando ganhar tempo.”
A farsa de Edson não durou muito e, pressionado pela polícia, ele confessou ter matado a esposa durante uma discussão. Nas palavras dele, a morte aconteceu quando segurou Leise pelo pescoço e a empurrou contra a parede.

As mensagens divulgadas pela filha da vítima, além de expor as tentativas de sair impune de Edson, também mostram os indícios de que Leise vivia um relacionamento abusivo. Por várias vezes, ela descreve o marido como uma pessoa “ruim”.
“Nunca vi um homem tão ruim. E vive na igreja.”
Em uma troca de mensagem com a filha, narra que passou três dias com dor e, em resposta, recebeu o número do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Não quer nem me levar à minha mãe.”
Edson foi preso em flagrante e hoje permanece na delegacia à disposição da Justiça.
Enquanto isso, a família e os amigos de Leise arrumam força para que a história dela não seja esquecida.
“Minha mãe não era apenas mais um nome. Ela era filha. Ela era mãe. Ela era amiga. Ela era uma mulher cheia de sonhos. Uma mulher que lutava pelos filhos todos os dias. E teve sua vida tirada de forma brutal […] Hoje escrevo com o coração destruído, mas também com a certeza de que a verdade precisa ser conhecida. Minha mãe merece justiça. Minha mãe merece que sua história seja ouvida. Minha mãe merece que sua voz não seja silenciada.”
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