Caminho inverso fez Michely perder a vida ao tentar proteger filho

Mãe se declarou ao feminicída dias antes

Nove meses é o tempo que o corpo serve de morada aos filhos durante a gestação. Mas, mesmo após o parto, parte da mulher sempre está ligada à prole para sempre. Nos planos, porém, nunca estão desfechos trágicos como o que ocorreu com Michely Rios Midon Oruê, morta aos 47 anos pelas mãos do filho, Alfredo Henrique Oruê dos Santos, 21 anos.

Suspeito de feminicídio e vítima
Alfredo Henrique Oruê e Michelly Rios Midon Oruê (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A cena do crime foi a casa em que ambos moravam, na cidade de Glória de Dourados, no dia 3 de julho deste ano. Feminicídio que fugiu do roteiro e chocou o estado, colocou Michely como a 18ª vítima do crime em Mato Grosso do Sul em 2025.

Alfredo, preso na manhã seguinte, acabou confessando o assassinato da própria mãe, motivo pelo combo: doenças mentais e uso de drogas. Ela queria o proteger do vício, sem sucesso.

Logo depois da morte, o rapaz fugiu com o carro da família e foi pego pela polícia dormindo, em um local que era ponto de venda de entorpecente.

A faca utilizada para desferir as cinco facadas que findaram a vida da vítima foi encontrada pela polícia na casa em que tudo ocorreu. Michely foi encontrada caída na sala. A falta de contato com familiares naquele dia despertou preocupação, por isso foi procurada.

Alegre e mãe zelosa, segundo quem convivia com ela, a mulher havia se declarado ao filho há poucos dias. Nas redes sociais, amplificou o amor que nutria por Alfredo, o mesmo sentimento que a fez mudar de Sidrolândia para Glória de Dourados em busca de tratamento para ele.

Leia abaixo a carta narrada em áudio ao filho:

“Oi, meu filho! Tudo bem?

Eu queria falar para você que nenhum presente que eu ganhasse hoje substituiria o amor que eu tenho por você. Nada seria melhor do que ter você na minha vida, nada pagaria o preço de ser sua mãe. Não tem nada que eu pudesse ganhar que fosse melhor do que eu já tenho, que é você. Hoje eu quero falar para você que a minha maior honra na vida é ver você se tornando um homem maravilhoso, um menino do bem, com o coração lindo que você tem. Eu quero falar o quão feliz eu sou por ser sua mãe, por ter você comigo. Mesmo que durante os dias a gente se desentenda, aconteça coisas que nos chateiam, mas isso faz parte da vida. Porém, nada tira o agradecimento que eu tenho a Deus por ter me dado você. Eu olho para você hoje e só consigo enxergar amor. Eu quero falar para você o quão eu te amo e o quão importante você é na minha vida. Te amo, meu filho, sempre se lembre disso”.

Vida em luto

À época do crime, a filha de Michely, Thaysa Ourê Santos, 29 anos, moradora de Maracaju, publicou também nas redes sociais um desabafo. Conta que, assim que recebeu a notícia, seguiu para a casa da mãe. Ao chegar, encontrou o lugar limpo. A perícia já havia ocorrido.

“No momento em que eu deitei na cama da minha mãe, eu abracei a coberta dela, eu senti o cheiro dela. O meu coração se acalmou na hora e me veio uma vontade muito grande de encontrar meu irmão, mas para proteger ele dele mesmo”.

🚨 Denuncie a violência contra a mulher

Violência doméstica — seja psicológica, física, moral ou verbal — é crime e precisa ser combatida. Saiba como denunciar:

Emergência: se a agressão estiver acontecendo, ligue 190 imediatamente;

Central de denúncias: disque 180. O atendimento é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia, todos os dias. Também é possível denunciar via WhatsApp: (61) 9610-0180;

Presencial: procure a delegacia mais próxima ou acione a Polícia Militar pelo 190;

Em Mato Grosso do Sul as denúncias de violência de gênero podem ser feitas de maneira on-line. Clique aqui e faça a denúncia.

⚠️ Violência contra a mulher não pode ser ignorada. Basta! Denuncie.

Campanha BASTA
Logo da Campanha Basta, do Primeira Página. (Foto: Divulgação)

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