Campo Grande registra recorde de casos de violência doméstica em 10 anos

Em nível estadual, Mato Grosso do Sul já contabiliza 20.286 mulheres vítimas de violência doméstica em 2025

Os números da violência doméstica chamam atenção em Mato Grosso do Sul. Dados da Sejusp-MS (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) mostram que Campo Grande alcançou, em 2025, o maior número de denúncias dos últimos dez anos: 7.218 registros. Até então, o recorde era de 2022, com 7.012 casos.

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DEAM em Campo Grande | (Foto: Adriano Fernandes)

Em nível estadual, Mato Grosso do Sul já contabiliza 20.286 mulheres vítimas de violência doméstica em 2025, aproximando-se do total do ano passado, quando foram registradas 21.115 denúncias. Em 2023 e 2022, o estado somou 21.061 e 20.077 casos, respectivamente. Nos anos de 2020 e 2021, MS registrou 18.447 e 18.873 ocorrências, o que confirma 2024 como o pior ano dos últimos cinco em número de denúncias.

Perfil das vítimas

O levantamento da Sejusp-MS aponta que a maior parte das vítimas são mulheres adultas entre 30 e 59 anos, representando 11.187 registros. As jovens de 18 a 29 anos aparecem em seguida, com 6.638 casos. Idosas com mais de 60 anos são 1.343 casos.

Entre as adolescentes de 12 a 17 anos, foram registrados 907 episódios de violência. O dado mais alarmante evidencia que até crianças de 0 a 11 anos também são vítimas, somando 209 ocorrências no estado.

Evolução da violência doméstica em Campo Grande nos últimos 10 anos:

  • 2015: 6.345
  • 2016: 6.757
  • 2017: 6.816
  • 2018: 6.438
  • 2019: 6.685
  • 2020: 6.096
  • 2021: 6.506
  • 2022: 7.012
  • 2023: 6.891
  • 2024: 6.962
  • 2025: 7.218*

*Até 9 de dezembro de 2025

Feminicídios em alta

O Mato Grosso do Sul já contabiliza 38 feminicídios em 2025. O caso mais recente ocorreu nesta segunda-feira (8), em Campo Grande. Ângela Naiara Guimarães Gugel, de 53 anos, foi brutalmente assassinada com golpes de canivete pelo ex-companheiro, Leonir Gugel, de 59. Ângela havia pedido o divórcio de seu algoz recentemente.

Uma segunda mulher, que seria filha de Ângela, foi ferida na mão e também recebeu atendimento médico. Ela teria tentando impedir o ataque à mãe. Leonir tentou tirar a própria vida após o crime, mas foi resgatado com vida em estado grave à Santa Casa.

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  1. Ex-marido mata mulher a golpes de canivete em Campo Grande

‘Inadmissível’, diz Riedel sobre feminicídios em MS

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), falou em entrevista ao Bom Dia MS na manhã desta segunda-feira (8), sobre os casos de violência contra a mulher no estado, que já registrou 38 feminicídios em 2025, número que supera os dados de 2024.

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  1. “É inadmissível”, diz governador sobre total de feminicídios

Questionado sobre como o estado avalia as melhorias necessárias os índices de violência sejam minimizados, ou que não ocorram, Riedel diz ser inadmissível que esses crimes continuem a ocorrer, mencionou haver melhorias a serem feitas no sistema, e ressaltou alguns pontos:

“Primeiro ponto, o estado não esconde ou não tipifica de maneira nenhuma algo que seja feminicídio de outra maneira, como muitos estados fazem, né? Isso eu chamo de jogar para debaixo do tapete. É o primeiro erro. A gente tem que ter as claras tudo que acontece e saber exatamente onde tá o problema, onde está acontecendo, que ele é complexo, ele tem natureza educacional, tem a rede de proteção tem que se fazer cada vez mais presente em diferentes instâncias”.

Além disso, o governador diz ser necessário um conjunto de medidas, para que cada vez mais deem segurança as mulheres em situação de fragilidade, e que a palavra intolerância com a agressão, com o mal feito em relação às mulheres, com desrespeito, ela tem que vigorar na nossa sociedade.

“As salas nas delegacias, as salas lilás, têm que se apresentar de uma maneira cada vez mais ante para acolher essa pessoa que vá buscar, né? E outros instrumentos também de acesso. Aquela mulher que se sentir ameaçada, agredida, ela tem que ter aonde procurar com segurança. Todo o fluxo da Casa da Mulher Brasileira ou da Delegacia da Mulher, para encaminhar uma medida protetiva. A gente treinou mais de 80 policiais civis e militares para funcionarem como Oficial de Justiça fora da hora de atendimento para ser ágil, né? Tudo isso combinado com o judiciário, com o Ministério Público e tem surtido efeito. A gente espera que esse conjunto de medidas deem cada vez mais segurança, às mulheres em situação de fragilidade, de violência, de agressão”.

Campanha BASTA
Logo da Campanha Basta, do Primeira Página. (Foto: Divulgação)

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