Capivara criminal: quem é Angeliquinha, condenada por mortes e alvo de operação
Angélica Saraiva de Sá foi condenada, em 2025, a quase 100 anos de prisão por assassinato, ocultação de cadáver e integrar facção criminosa.
Angélica Saraiva de Sá, conhecida como ‘Angeliquinha’, apontada como líder de uma facção criminosa em Alta Floresta (MT), é o principal alvo da Operação Showdown, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (5), contra um grupo familiar de faccionados envolvido em crimes como tráfico de drogas, lavagem de mais de R$ 20 milhões em dinheiro e divulgação de jogos de azar na região norte de Mato Grosso.

Angélica Saraiva foi condenada, em 2025, a quase 100 anos de prisão por assassinato, ocultação de cadáver e por integrar organização criminosa. Ela seria uma das líderes do Comando Vermelho em Mato Grosso.
Ela cumpria pena na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, de onde fugiu acompanhada de outra presidiária, na madrugada do dia 17 de agosto do ano passado. Desde então, ela segue foragida e é considerada de alta periculosidade.

Angeliquinha, como ficou conhecida no mundo criminal, teria ordenado, em 2022, as mortes de:
- Jefferson Vale Paulino, de 27 anos;
- Alan Rodrigues Pereira, 36 anos;
- João Vitor da Silva, 19 anos;
- Caio Paulo da Silva, 31 anos.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), outras 14 pessoas teriam envolvimento nas mortes das vítimas, que foram para a cidade a trabalho em pavimentações asfálticas.
Os homens teriam sido identificados como integrantes de um grupo rival criminoso. No dia do crime, as vítimas teriam ido até a casa de um dos rapazes para, supostamente, usarem drogas. Eles foram mantidos reféns e torturados até confessarem participação na facção rival, momento em que Angélica ordenou as mortes.

Família de faccionados na mira de operação
A operação, deflagrada na manhã desta quinta, contou com 31 mandados, sendo quatro de prisão, sete de busca e apreensão, seis de sequestros de veículos, quatro sequestros de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de pessoa jurídica, expedidos pela 5ª Vara Criminal de Sinop, nas cidades de Alta Floresta e Nova Bandeirantes (MT).
Pessoas próximas da foragida, como pai, filha e marido também são alvos da operação, apontados como operadores financeiros do grupo criminoso, atuando na lavagem de dinheiro adquirido pelo tráfico de drogas.
Eles foram identificados como:
- Kauany Beatriz, filha de Angélica;
- Guilherme Luareth;
- Paulo Felizardo.
O grupo é investigado, ainda, por movimentar valores incompatíveis com a renda declarada e por administrar empresas usadas para dar aparência de legalidade ao dinheiro do tráfico.
Lavagem de dinheiro
Com base nas apurações da Polícia Civil, o grupo familiar teria movimentado mais de R$ 20 milhões no período de 1 ano e sete meses.
Para lavar o dinheiro, os investigados usavam diversos mecanismos, como empresas de fachada nos ramos de calçado, beleza e roupas multimarcas, além de plataformas digitais e jogos de azar on-line.
O esquema também envolveria exploração de garimpo irregular na região de Alta Floresta. Sob o comando direto da filha, o pai líder da facção faria a gerência do garimpo e de um bar – que também funcionada como casa de prostituição – próximo de Nova Bandeirantes.
No local, os envolvidos ainda praticavam extorsões a garimpeiros e tráfico de drogas. O ouro, obtido na região, poderia ser utilizado como forma de ocultar e repor recursos ilegais no mercado formal, dificultando o rastreamento financeiro por parte da polícia.
Vida de luxo
A filha e o companheiro, genro do líder da facção, ostentavam uma vida de luxo com compras de imóveis e carros de alto valor, além de viagens internacionais, segundo a polícia.
No perfil das redes sociais, a jovem teria mais de 40 mil seguidores e compartilhava detalhes da rotina e suas aquisições de luxo.
O Primeira Página tenta localizar a defesa dos citados na operação.
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