“Reduto” do crime no bairro Mata do Jacinto, segundo a polícia, o Carandiru de Campo Grande tinha até “cantoneira”, espaço destinado a sessões de tortura, nos chamados tribunais do crime, típicos de facções criminosas, que chegam a matar pessoas como justiçamento por serem inimigas ou terem descumprido regras das irmandades criminosas.
De acordo com o delegado Régis de Almeida, da 3ª DP (Delegacia de Polícia), unidade responsável por operação no local, foram encontradas fezes e sangue em uma das áreas do endereço.
“Eles (criminosos) formaram um verdadeiro centro de criminalidade no local. Criaram uma espécie de estado paralelo, inclusive, com a criação de uma cantoneira destinada a castigar os rivais. Os subvertidos eram mantidos naquele local, em cárcere, eram açoitados e apanhavam”, comentou Régis, durante coletiva de imprensa, nesta tarde.
A “cantoneira” do Carandiru, ainda conforme o delegado, passou por perícia durante a força-tarefa desta terça-feira(6 de maio).
“Abre-te, Sésamo”
O saldo da operação traça um panorama do cenário encontrado no local. Treze pessoas foram presas durante o cumprimentos dos 46 mandados de busca e apreensão no conjunto de apartamentos. Os suspeitos responderão pelos crimes de tráfico de drogas, posse irregular de arma de fogo e receptação.
Dois caminhões de objetos sem procedência comprovada, 12 quilos de maconha, 2 quilos de cocaína, 2 armas, 50 munições e R$ 20 mil em dinheiro foram apreendidos pela polícia na operação.
Dentre os itens com suspeita de roubo e furto estão bicicletas, televisores, bojões de gás, instrumentos musicais, ferramentas, bebidas e muitos mais. Os objetos serão catalogados na expectativa de esclarecer se foram ou não, adquiridos de forma ilícita.
Batizada de “Abre-te, Sésamo”, a operação que “parou” a Mata do Jacinto foi resultado de 10 meses de investigação. Conforme a Polícia Civil, o Carandiru era um ponto em comum de boa parte dos crimes registrados na Mata do Jacinto e região.
Objetos sem procedência comprovada apreendidos no Carandiru. (Foto: Polícia Civil)
“Tráfico de drogas, homicídios, furtos e roubos de veículos. Todos esses crimes estavam relacionados a atuação do Carandiru. Ou os suspeitos destes crimes se escondiam naquele local, ou usavam o local como ponto de distribuição de drogas, venda de armas. E quando o poder publico se aproximava do endereço, a população que lá residia era hostil, atiravam pedras, revidavam de diversas formas, impendido a aproximação”, comenta a delegada Priscila Anuda Quarti, coordenadora da operação.
Ainda conforme a delegada, alguns dos apartamentos do Carandiru eram alugados.
“Nos parece que algumas das unidades eram locadas por algumas das primeiras pessoas que tomaram posse ali. Muitos nem residem no local, tem, inclusive outros imóveis, chácara, e alugam a unidade para outra pessoa”, completa.
Ainda conforme a Polícia Civil, a operação desta terça-feira (6) é o primeiro passo de uma série de ações do poder público para tentar revitalizar o condomínio e diminuir a criminalidade na região.
A força-tarefa teve apoio do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil. Agentes da Assistência Social também catalogaram que 23 famílias vivem em situação de insalubridade no Carandiru.
Foi constatado risco de incêndio por conta das instalações irregulares, falta de degraus nas escadas e risco de desabamento devido às alterações na planta original do prédio. Prefeitura e MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) devem ser oficiados sobre os resultados da operação para que o imóvel seja desocupado.
FALE COM O PP
Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso do Sul, mande uma mensagem pelo WhatsApp. Curta o nosso Facebook e nos siga no Instagram.