Casal de empresários é indiciado por mandar matar advogado Renato Nery
De acordo com a Polícia Civil, o casal articulou o crime por meio de intermediários; 7 PMs são investigados por participarem do assassinato
Um casal de empresários de Primavera do Leste foi indiciado, pela Polícia Civil de Mato Grosso, nesta sexta-feira (11), como mandantes do assassinato do advogado Renato Nery, de 72 anos, em Cuiabá. César Jorge Sechi e Julinere Goulart estão presos desde maio deste ano.

Eles vão responder por homicídio qualificado por motivo torpe, promessa de recompensa, emprego de meio que possa resultar em perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Segundo as investigações da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a motivação do crime foi uma disputa judicial envolvendo uma fazenda de mais de 12 mil hectares, localizada em Novo São Joaquim, região leste do estado.
Crime premeditado
De acordo com a Polícia Civil, o casal articulou o crime por meio de intermediários, entre eles o policial militar Heron Teixeira e o caseiro Alex de Queiroz. Eles estão presos e já foram indiciados.

Ambos monitoraram a rotina do advogado por dias, e chegaram a tentar realizar o crime um dia antes da execução, no dia 4 de julho, sem sucesso. No dia seguinte, o caseiro retornou ao local de moto e efetuou os disparos que mataram Renato.
Renato foi socorrido com vida e passou por cirurgia em um hospital privado da capital, mas não resistiu aos ferimentos.
Envolvimento de policiais militares
Além do casal mandante, três policiais militares foram indiciados por participação direta no homicídio.
• Jackson Pereira Barbosa, acusado de intermediar a contratação dos executores.
• Ícaro Natan Ferreira, que teria emprestado a arma usada no crime.
• Heron Teixeira, responsável por repassar a arma.
• Alex Queiroz, o caseiro que executou os disparos.
Um inquérito paralelo também conduzido pela DHPP apurou uma tentativa de fraude em ocorrência policial para encobrir o crime.
Sete dias após o assassinato, outros quatro policiais militares – Leandro Cardoso, Wailson Alesandro, Jorge Rodrigo Martins e Wercerlley Benevides – simularam um confronto armado com supostos criminosos, ocasião em que a arma usada no assassinato foi “plantada” na cena, segundo a Polícia.

Provas técnicas e exames periciais comprovaram que os abordados estavam desarmados, contrariando o relato oficial. Esses policiais também foram indiciados por fraude e ocultação de provas.
Até o momento, não há indícios de que esses militares participaram diretamente do homicídio, mas a Polícia Civil aponta que eles atuaram para proteger os autores e atrapalhar as investigações.
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