Caso Bernal: divulgação de imagens de câmeras de segurança atrasa pedido de liberdade

A defesa diz que parte das gravações divulgadas na imprensa não contempla a totalidade dos acontecimentos

A defesa do ex-prefeito Alcides Bernal segue com o pedido de liberdade provisória protelado enquanto aguarda acesso a novas imagens de câmeras de segurança que, segundo o advogado Dr. Oswaldo Mezza, ainda não foram totalmente disponibilizadas. O advogado esteve no presídio militar nesta sexta-feira (27) para se reunir com o cliente e alinhar os próximos passos da estratégia de defesa.

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Imagens de câmeras de segurança mostram o ex-prefeito descendo armado de caminhonete | (reprodução)

De acordo com Mezza, a decisão de não ingressar, neste momento, com o pedido de habeas corpus (HC) está diretamente ligada à expectativa de obtenção de registros adicionais que possam reforçar a tese de legítima defesa.

Ele afirma que parte das gravações divulgadas na imprensa não contempla a totalidade dos acontecimentos e que outros vídeos poderiam oferecer uma visão mais completa do episódio. Nas imagens que o Primeira Página teve acesso, mostram o político em uma ação que levou 1 minuto, entre ele descer da caminhonete, entrar e atirar contra o servidor Roberto Carlos Mazzini. Confira as imagens:

Câmeras de segurança mostram sequência do crime em que fiscal tributário foi morto a tiros pelo ex-prefeito Alcides Bernal em Campo Grande

Segundo a defesa, essas imagens que ainda não divulgadas mostrariam momentos importantes do confronto, incluindo a interação entre os envolvidos em circunstâncias que poderiam caracterizar uma situação de reação defensiva, que sustentaria o argumento de que Bernal agiu para se proteger.

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Outro ponto abordado por Meza diz respeito a uma informação divulgada anteriormente sobre um imóvel que Bernal supostamente não teria declarado à Justiça Eleitoral. O advogado afirmou que o bem foi, sim, informado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), conforme relatado pelo próprio cliente, e que a situação deve ser esclarecida nos autos.

O caso

Por telefone, Bernal relatou à reportagem que não estava na residência. Porém, recebeu ligação da empresa de segurança que monitora o imóvel, de que estavam invadindo o local. 

“Fui para minha casa, quando cheguei os caras estavam dentro da casa. Partiram pra cima de mim e aí eu tive que me defender, né? Eram três pessoas”, disse. 

Ao ser questionado se alguém havia morrido, o ex-prefeito alegou que não sabia, pois havia ido para delegacia “comunicar o fato”. 

“Eu vim aqui [na delegacia] para denunciar que os caras estavam lá [na residência]”, informou. 

Quanto ao socorro, Alcides afirmou que não foi ele quem acionou o Corpo de Bombeiros. “Eu vim na delegacia informar. Eu acho que foi o delegado [quem acionou o socorro]”. 

Assim que chegou à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário Centro, Alcides Bernal foi encaminhado à Depac Cepol, responsável por registrar flagrantes. O caso será registrado no artigo 121 do Código Penal Brasileiro, que qualifica o homicídio como “traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido”.

Por ser advogado, Bernal foi enviado ao Presídio Militar Estadual, onde permanece preso após audiência de custódia no Fórum de Campo Grande. A Justiça converteu, na quarta-feira (25), a prisão em flagrante para prisão preventiva enquanto as investigações continuam.

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