Caso Ludinho: a tragédia que marcou Campo Grande
Dentro de uma redação, é normal as conversas sobre apurações antigas, casos vividos, coberturas que marcaram a carreira. E foi assim que o “Caso Ludinho” apareceu, pela memória de um dos colegas
Um ano antes do “nascimento” de Mato Grosso do Sul, Campo Grande virou manchete nacional com a triste história do assassinato do membro de uma das famílias mais importantes da época, os Coelho. Em 1976, Lúdio Martins Coelho Filho, o Ludinho, foi sequestrado e morto em uma tentativa de extorsão. Por trás do plano para conseguir dinheiro, policiais militares de alta patente.

A história configura uma das mais marcantes do Estado, que naquele ano ainda era Mato Grosso.
Lúdio Martins Coelho já era bem conhecido. Empresário, político e dono do então banco Financial. Mais que isso, tinha por hábito usar o dinheiro para ajudar as pessoas, e por isso, era querido na cidade.
Ludinho não ficava atrás. Aos 21 anos, era rosto conhecido em Campo Grande. Dito como “playboy” por quem convivia com ele.
Em setembro de 1976, Ludinho foi alvo de um plano arriscado. Foi sequestrado, levado para uma casa do bairro São Francisco e mantido refém enquanto um pedido de resgate era deixado junto ao seu carro, em frente à casa da família. No bilhete, os criminosos pediam 6 milhões de cruzeiros para soltar o filho único de Lúdio Martins Coelho.
O plano, no entanto, não saiu como esperado.
O corpo de Ludinho foi encontrado no local que hoje é conhecido como “antiga pedreira”, no bairro São Francisco. Devastado pela dor, Lúdio contratou ninguém menos que Sérgio Fernando Paranhos Fleury, o delegado Fleury, que foi um policial que atuou no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e era conhecido como um dos repressores mais violentos da época.
Fleury veio a Mato Grosso e se instalou no Hotel Campo Grande. Após dias de investigação, junto com um grupo de policiais da cidade, chegou-se à autoria do crime: os tenentes da Polícia Militar de Mato Grosso, Aramis Ramos Pedrosa, João Louzada, e João Leozar Machado.
Além dos três, a esposa de Aramis e a amante de Machado também foram condenadas pelo crime, um ano depois da morte do jovem Ludinho.
“O Machado era tão cínico que trabalhou com o Fleury na investigação”, contou um policial que atuou em Campo Grande naquele ano.
O fim da farsa veio com a ajuda de outro policial. Matérias publicadas sobre o caso deram nome ao “herói”: cabo Targino. Foi ele quem entregou o plano dos colegas a Fleury.
Mas a história não parou por aí.
Machado ficou preso no quartel da corporação e Aramis, o mais perigoso dos dois, foi levado para o presídio da cidade, que ficava onde hoje é instalado o Fórum de Campo Grande, na rua da Paz.
Em 1981, Aramis conseguiu fugir. Contam que o ex-tenente subornou um dos carcereiros, conhecido por Baiano e pela fama de ser “ruim”.
Aramis saiu pela porta da frente e fugiu “pulando muros” em direção aos Altos da avenida Afonso Pena, rumo ao Parque dos Poderes.
Se hoje existe um shopping, largas avenidas e prédios na região, na época tudo não passava de terras de uma fazenda. A fuga se transformou em perseguição. Policiais militares se dividiram em busca do ex-companheiro e o encontraram escondido em um lago, que hoje sequer existe.
“Ele estava dentro da água, só dava para ver os olhos e o coco da cabeça, o colega que atirou, atirou por medo.”
Aramis morreu naquele dia. Mas seu nome não. Além de mentor intelectual do sequestro e da morte de Ludinho, está na lista de nomes da Ditadura Militar como autor de detenção ilegal, execução, desaparecimento forçado e ocultação de cadáver.
A morte de Ludinho chocou o país, marcou Campo Grande e virou música.
O Brasil todo sentiu.
Milionário e José Rico
Mato Grosso entristeceu
Campo Grande está de luto
Pelo filho que perdeu
Pela alma do inocente
Faço a Deus a minha prece
Deus que é todo onipotente
Dá o céu a quem merece
Entre lágrimas que choram
Faço a minha oração
Pelos pais a Deus imploro
Muita paz e proteção
O Brasil todo sentiu
Mato Grosso entristeceu
Campo Grande está de luto
Pelo filho que perdeu
O Brasil todo sentiu
Mato Grosso entristeceu
Campo Grande está de luto
Pelo filho que perdeu
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