Caso Vanessa: relatório aponta possível falha de comunicação entre equipes da Deam

O documento se torna parte do processo contra Caio Nascimento, o assassino da jornalista, que tramita em segredo de Justiça

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil concluiu no início desta semana o relatório que apurou detalhes do atendimento à jornalista Vanessa Ricarte, vítima de feminicídio horas depois de denunciar as ameaças feitas a ela pelo ex-noivo na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

Vanessa Ricarte
Vanessa Ricarte, jornalista vítima de feminicídio pelo noivo em fevereiro deste ano, em Campo Grande (MS). (Foto: Rede Sociais)

Segundo o governo do estado, com a conclusão das investigações, o relatório se torna parte do processo contra Caio Nascimento, o assassino de Vanessa, que tramita em segredo de Justiça. Por isso, o teor do documento e as conclusões da corregedoria em relação ao atendimento à vítima não foram divulgados em sua integridade.

O único ponto revelado foi a descoberta de uma possível falha de comunicação entre o setor psicossocial da Casa da Mulher Brasileira e a Deam.

A explicação dada pelo governo é que a jornalista, ao procurar a delegacia, foi recebida pelo setor psicossocial e preencheu um documento que indica os riscos que a vítima está sofrendo; nele, ela informou ter sido mantida em cárcere privado por dias, mas, o problema é que essa informação não teria chegado a tempo às mãos da delegada que fez o atendimento a Vanessa.

Depois de registrar o boletim de ocorrência, Vanessa foi orientada a avisar Caio, por mensagem, que ele não poderia continuar na casa dela devido a uma medida protetiva deferida pela Justiça. Sem ter nenhum acompanhamento policial, a jornalista voltou para sua residência apenas com um amigo e, ao chegar, foi assassinada a facadas pelo músico.

Todo o “descaso” no atendimento foi revelado pela própria jornalista em áudios enviados por ela a uma amiga minutos antes de sua morte.

Essa falha de comunicação, explicou o governo, pode ter ocorrido porque esse documento de análise do risco vivido pela vítima ainda é preenchido a mão e não é um sistema informatizado. Diante dessas informações, já se estudam maneiras para tentar solucionar esse problema.

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A morte de Vanessa

Vanessa procurou a polícia pela primeira vez na madrugada do dia 12 de fevereiro. Em depoimento, relatou sofrer ameaças, contou que era impedida de sair de casa por Caio e que teve fotos íntimas expostas. Assim como as outras vítimas, ela pediu medida protetiva, medida que foi concedida pela justiça em menos de 24 horas, mas não foi o suficiente para salvá-la.

Depois de sair da delegacia pela segunda vez no mesmo dia e sem ninguém para acompanhá-la, Vanessa foi para casa com um amigo para buscar roupas. Neste momento, ela já havia decidido que ficaria na casa de outras pessoas, mas entendeu que precisava pegar suas coisas.

A partir desse momento, tudo que a polícia sabe foi descrito pelo amigo de Vanessa. Nas palavras dele, a jornalista pediu que Caio saísse da casa e, aparentemente, ele concordou. A testemunha resolveu ligar para uma outra amiga, para pedir ajuda, avisar que a situação ali estava tensa, e foi nesse segundo em que tudo parecia “calmo” que o crime aconteceu.

Caio aproveitou o momento para ir à cozinha, se armou com uma faca e atacou Vanessa. Foram três golpes, todos na região do tórax.

Caio foi preso em flagrante no mesmo dia e desde então está na cadeia.

Depois desse dia, os áudios enviados pela jornalista sobre como foi atendida na delegacia ganharam repercussão nacional e expuseram falhas no sistema de atendimento à mulher vítima de violência em Campo Grande.

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