Clínica de emagrecimento é alvo de fiscalização após denúncia de uso irregular de medicamentos
A fabricante do medicamento Mounjaro, a norte-americana Eli Lilly, que denunciou o centro de emagrecimento
Uma clínica de emagrecimento localizada foi alvo de fiscalização nesta quinta-feira (14), no Centro de Campo Grande, após denúncia de que medicamentos irregulares estavam sendo utilizados. A ação conjunta foi feita pelo Procon-MS, Vigilância Sanitária, Conselho Regional de Medicina (CRM-MS) e Polícia Civil.

Segundo o delegado responsável pela ação, a fiscalização teve início a partir de uma denúncia apresentada pela fabricante farmacêutica Eli Lilly, empresa responsável por medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e diabetes, como o Mounjaro.
Até o momento, os órgãos evitam detalhar possíveis responsabilizações porque a vistoria ainda está em andamento.
Durante a inspeção, o CRM-MS informou ter identificado uma série de irregularidades na clínica. Entre os problemas constatados estão medicamentos antiarrítmicos vencidos, ausência de insumos obrigatórios no carrinho de emergência e prescrição inadequada de terapias hormonais.
Outro ponto levantado pelo conselho foi a publicidade considerada enganosa. Conforme o CRM, a clínica estaria divulgando especialidades médicas que não fazem parte da formação da equipe responsável pelos atendimentos, o que pode induzir pacientes ao erro.
A Vigilância Sanitária também apura possíveis irregularidades na aquisição e dispensação de medicamentos. Os fiscais encontraram produtos vencidos armazenados juntamente com medicamentos ainda dentro do prazo de validade, situação que motivou o acionamento da perícia técnica para análise detalhada do material apreendido.
Investigação de venda casada
Já o Procon investiga prática de venda casada. De acordo com os fiscais, os pacientes não teriam liberdade para escolher onde comprar os medicamentos prescritos, sendo induzidos a adquirir produtos manipulados diretamente pela clínica, vinculando o tratamento à compra interna dos remédios.
A fiscalização também apontou problemas administrativos. Os alvarás de localização e funcionamento da clínica estariam vencidos. Até o momento, segundo os órgãos envolvidos, foi apresentado apenas um protocolo indicando pedido de renovação da documentação.
Em nota preliminar, a clínica informou que irá se manifestar oficialmente após a conclusão da fiscalização. O CRM-MS também afirmou que divulgará um posicionamento completo assim que os trabalhos forem encerrados.
A Clínica Canela ainda não se manifestou e afirmou que emitirá nota após o encerramento da fiscalização.
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