Conselheiro tutelar é acusado de assédio sexual contra colegas de trabalho em Campo Grande

Duas mulheres que trabalham em um Conselho Tutelar de Campo Grande denunciaram à polícia um conselheiro tutelar por assédio sexual

Ao menos duas mulheres procuraram a 7ª Delegacia de Polícia Civil para denunciar episódios de assédio sexual sofridos dentro do ambiente de trabalho. Os casos teriam ocorrido em uma das unidades do Conselho Tutelar em Campo Grande.

Conselho Tutelar CGMS
Carro do Conselho Tutelar de Campo Grande. (Foto: MPMS)

O Primeira Página teve acesso aos dois boletins de ocorrência. No primeiro, registrado em 2 de junho, consta que, no dia 29 de maio, a vítima relatou estar estressada em razão do trabalho.

Segundo o relato, o autor, que atua como conselheiro tutelar e é superior hierárquico da mulher, se aproximou e disse: “quando você está estressada, você precisa de um sexo muito selvagem”. Além disso, a funcionária afirmou que houve outros episódios de assédio, mas que os fatos não foram detalhados no registro.

No segundo boletim de ocorrência, registrado em 12 de junho, a vítima contou que pediu ajuda ao autor para recuperar a senha de uma conta de e-mail. Após conseguir acesso utilizando um computador do local de trabalho, o homem teria visualizado fotos íntimas armazenadas na nuvem.

Nesse momento, conforme o relato, o conselheiro tutelar teria dito: “nossa, você vai me deixar louco desse jeito com essas fotos”. A vítima afirmou ter se sentido constrangida e pediu que ele desconectasse a conta do computador.

Minutos depois, ela encontrou o autor na cozinha, ocasião em que ele voltou a comentar: “não é à toa que o Nego do Borel corre atrás de você com tudo isso que você tem”. Ao questioná-lo se ainda possuía acesso ao e-mail, recebeu como resposta para “ficar tranquila, que eu já vou desconectar de sua conta”.

Ainda conforme o boletim, o autor pediu que a mulher mantivesse a conversa em sigilo. Ambos os casos foram registrados como assédio sexual.

Até o momento, o suspeito não foi afastado das funções e continua trabalhando na mesma sala que as vítimas. Apesar de as denúncias terem sido encaminhadas à Secretaria de Assistência Social (SAS), ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), nenhuma medida teria sido adotada até agora.

Procurada pela reportagem, a SAS informou que uma equipe técnica da pasta está acompanhando os casos e prestando acolhimento às servidoras, além de formalizar as denúncias junto às autoridades competentes.

“A SAS reafirma seu compromisso com a proteção e a defesa dos direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade e informa que está adotando todas as providências cabíveis dentro de sua esfera de atuação para assegurar a integridade física, emocional e psicológica das servidoras, acompanhando os casos de forma contínua e responsável. Em observância à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD – Lei nº 13.709/2018), bem como em respeito aos envolvidos e para preservar o andamento dos procedimentos legais e administrativos, não serão divulgadas informações adicionais que possam identificar as partes ou comprometer a apuração dos fatos”, finalizou a nota.

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