Conselho Tutelar foi alertado sobre maus-tratos antes da morte de Emanuelly
Caso inclui denúncias de agressões físicas graves, negligência alimentar e até ameaças de morte contra Emanuelly Victória Souza Moura, de 6 anos
A menina Emanuelly Victória Souza Moura, sequestrada, estuprada e encontrada morta aos 6 anos, nesta quinta-feira (28), em Campo Grande, já havia sido vítima de maus-tratos, apurou a reportagem. Inclusive, o Conselho Tutelar acompanhava a situação em que a menina vivia, desde 2020.

O caso chama a atenção pela gravidade das agressões e pelas circunstâncias relatadas à equipe de proteção à infância. A mais recente passagem pelo órgão, em maio deste ano, aponta que Emanuelly foi agredida, ao ponto de quebrar um dos braços.
Ainda segundo apurado pelo Primeira Página, a menina não era alimentada adequadamente, teria sofrido ameaças de morte e até de que seria enterrada. Diante das agressões, Emanuelly também deixava de frequentar a escola.
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Desaparecimento e assassinato
Emanuelly foi sequestrada na quarta-feira (27) por Marcos Wilian Teixeira Timóteo, de 20 anos. A vítima foi levada por ele da Vila Taquarussu, câmeras de segurança mostram o momento em que o homem vai para casa, na Vila Carvalho, em companhia da menina.
Ele era amigo da família e, por isso, tinha livre acesso à residência da vítima.
Confira o momento do sequestro.
A polícia tomou conhecimento do desaparecimento às 19h de quarta. Enquanto isso, Marcos fugia. O corpo de Emanuelly foi encontrado na casa do suspeito, enrolado em um cobertor, escondido em uma banheira de bebê que estava embaixo da cama. Perícia inicial feita no local constatou violência sexual.
Marcos Wilian foi morto nesta manhã, por policiais do GOI (Grupo de Operações e Investigações), na região conhecida como Inferninho, na zona rural de Campo Grande. Armado, ele teria atentado contra os policiais e acabou baleado.
Ele chegou a ser levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Almeida, mas não resistiu aos ferimentos.
Marcos já possuía passagens anteriores por furto qualificado (2018), estupro de vulnerável (2019), outro estupro de vulnerável (2020), injúria e violência doméstica (2024).
Retornos
A reportagem procurou a prefeitura de Campo Grande para questionar sobre os atendimentos realizados no Conselho Tutelar Sul, em situações anteriores envolvendo a denúncia de maus-tratos à Emanuelly, e o município informou que o CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) é quem deve responder pelo assunto.
Já o CMDCA relatou que o próprio Conselho Tutelar é que deve se pronunciar. A reportagem aguarda retorno.
Já a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) informou que a família de Emanuelly Victoria Souza recebeu atendimento técnico pela equipe do Cras Guanandi, já no mês de fevereiro, atendendo solicitação do Conselho Tutelar Sul. Contudo, eles teriam recusado atendimento. Confira a nota na íntegra.
“A família passou por entrevista com os técnicos da unidade, que realizaram um estudo do caso da família junto ao CT Sul para identificar as necessidades da família. Na ocasião, foi constatada a situação de vulnerabilidade social devido à insegurança alimentar, ocasionada pela falta de renda da família. Por meio do Cras Guanandi a família recebeu uma cesta básica e, além disso, também foi ofertado à família, os serviços disponibilizados pelo Cras, como o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e o Programa Criança Feliz, que consiste em visitas domiciliares às famílias participantes do Cadastro Único. Por meio do Programa, os visitadores fazem o acompanhamento e oferecem orientações importantes para fortalecer os vínculos familiares e comunitários, além de estimular o desenvolvimento infantil. Vale ressaltar que a família recusou os serviços ofertados pelo Cras, aceitando apenas a cesta básica. Ressaltamos que a família está inserida no Cadastro Único e recebe benefício do Bolsa Família, do Governo Federal. Quanto ao atendimento prestado pelo Conselho Tutelar, a SAS informa que as informações sobre atendimentos relacionados aos Conselhos Tutelares devem ser buscados junto ao CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente), pois é a entidade que responde pelos CTs. Lembramos que a Capital conta com 8 Conselhos Tutelares, que são órgãos autônomos. Cabe a Prefeitura, por meio da SAS apenas as provisões estruturais dos prédios dos Conselhos Tutelares.”
SAS.
Diante da suspeita de que a menina sofreu fratura a reportagem também questionou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande), sobre eventuais passagens da menina por unidades de saúde da capital. O órgão, contudo, informou que não passa informações sobre o histórico de pacientes em comprimento da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais).
Velório e sepultamento
O corpo da menina será velado a partir das 20h desta quinta-feira (28), no Cemitério Parque de Campo Grande. O sepultamento será às 08h30 de sexta-feira (29).
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