Contador alvo da operação atuou em esquema com prejuízo de mais de R$ 45 milhões

Devido à gravidade dos fatos e à reincidência na utilização da profissão para blindar o crime, ele teve seu exercício profissional suspenso judicialmente.

O contador Marcelo Rodrigues de Arruda alvo da Operação ‘CNPJ na Cela’, deflagrada na manhã desta terça-feira (3), é apontado como arquiteto do esquema de empresas fantasmas com foco em fraudes fiscais, é conhecido pela atuação na sonegação de tributos, sendo também integrante do núcleo criminoso alvo da Operação Hortifraude que causou prejuízo de R$ 45 milhões aos cofres públicos.

Deflagrada em setembro de 2025, a operação Hortifraude teve como objetivo a desarticulação de um complexo esquema de sonegação fiscal que atuava no âmbito de hortifrutigranjeiros.

As duas operações, deflagradas pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Mato Grosso (Cira-MT), tiveram como alvo o contador, que devido à gravidade dos fatos e à reincidência na utilização da profissão para blindar o crime, teve seu exercício profissional suspenso judicialmente.

Contador alvo da operação atuou em esquema com prejuízo de mais de R$ 45 milhões
Contador alvo da operação atuou em esquema com prejuízo de mais de R$ 45 milhões. Foto: Reprodução

Fraudes fiscais

As investigações conduzidas pela Polícia Civil, em inquérito policial instaurado na Delegacia Especializada em Crimes Fazendários (Defaz), apontam que o profissional não apenas prestava serviços burocráticos, mas utilizava seu registro profissional (CRC) para industrializar a abertura de empresas de papel, validando fraudes que, no esquema investigado na Operação Hortifraude, resultaram em um rombo estimado em R$ 45 milhões aos cofres públicos.

Já nas investigações realizadas no inquérito policial que deu margem à deflagração da operação CNPJ na Cela, ele teria usado a função para dar aparência de legalidade a negócios inexistentes, operando cadastro, validando informações falsas e mantendo empresas de fachada que emitiam notas fiscais sem lastro. As investigações iniciais identificaram mais de R$ 190 mil em prejuízo ao erário, porém com o avanço das apurações é possível que os valores cheguem a cifras milionárias

Com a suspensão cautelar do registro profissional e o desmantelamento do núcleo técnico, a força-tarefa entende ter contido a sangria causada pela emissão de notas frias. O inquérito está na etapa final de apuração do prejuízo total e rastreamento do patrimônio oculto, a fim de assegurar a devolução integral dos valores desviados à sociedade.

Outro lado

Ao Primeira Página, o contador negou as acusações, confirmando apenas um serviço realizado em Rondonópolis, município citado pela Defaz por abrigar uma empresa registrada com endereço de uma penitenciária.

Questionado sobre a abertura de outras empresas no município de Várzea Grande, o contador também negou qualquer participação no trâmite. Apesar disso, o nome dele aparece como ‘nome fantasia’ de uma empresa localizada no bairro Glória, na cidade vizinha à capital.

Os mandados de busca e apreensão são cumpridos em Rondonópolis e Várzea Grande, além da penitenciária de Rondonópolis. Entre os itens apreendidos estão telefones celulares e computadores.

Leia mais

  1. Contador alvo de operação nega participação em fraude fiscal

  2. Operação mira empresas de fachada em esquema de sonegação fiscal em MT

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.