Corregedoria afasta policiais presos na fronteira em operação contra corrupção

Rogério Insfran Ocampos, Márcio André Molina Azevedo e Mauro Ranzi, policiais investigados em esquema de corrupção na fronteira com o Paraguai, foram oficialmente afastados de seus cargos. Em publicação na edição do Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (28), o corregedor-geral da Polícia Civil determinou que os três devem deixar suas funções, enquanto rolam as investigações.

2ª DP de Ponta Porã
Policiais entram na 2ª Delegacia em Ponta Porã, onde foram cumpridos a maior parte dos mandados da operação “Codicia”. (Foto: Canal Aberto)

Segundo apurado pela reportagem, Rogério, que atuava como perito criminal em Ponta Porã, 295 quilômetros de Campo Grande, é suspeito de ser a pessoa que, sempre que necessário, agilizava laudos periciais para o grupo criminoso investigado por cobrar “taxas” para liberar veículos apreendidos.  

Investigações apontam que o profissional recebia dinheiro dos colegas e, assim, auxiliava no esquema que funcionava dentro da 2ª Delegacia de Polícia Civil da cidade.  

Márcio André, mais conhecido como “Molina”, atuava na mesma delegacia do esquema. Ele teria chegado a apreender veículos apenas depois de ser pago para isso. Mauro Ranzi, lotado na delegacia de Antônio João, também teria recebido valores repassados pelas vítimas que tentavam reaver os bens recuperados pela polícia.

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Com o afastamento, Márcio Rogério Faria Custódio, corregedor-geral da Polícia Civil, também determinou o recolhimento das armas, carteiras funcionais e qualquer outro pertence da instituição policial que estejam com os três. Acessos aos bancos de dados também foram cortados. 

Prisões 

Os três policiais afastados foram presos no dia 25 de abril, quando foi deflagrada a Operação “Codicia”.  

As investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) comprovaram que, de 2017 a 2021 – exclusivamente no período em que o delegado Partrick Linares da Costa era o responsável pela unidade –, escrivães, investigadores e até um perito criminal cobravam “taxas” para liberar veículos apreendidos na delegacia.

Notas de real e de dólar apreendidas durante operação “Codicia”, deflagrada pelo Gaeco em Ponta Porã (Foto: MPMS/Divulgação)
Notas de real e de dólar apreendidas durante operação “Codicia”, deflagrada pelo Gaeco em Ponta Porã (Foto: MPMS/Divulgação)

O delegado, que foi afastado do cargo e impedido de tomar posse como juiz estadual no concurso em que foi recentemente aprovado, afirmou ser inocente por meio de sua defesa. 

Família investigada 

“Molina”, um dos alvos da Operação “Codicia”, é irmão do subtenente da Polícia Militar Silvio Cesar Molina Azevedo, preso pela Polícia Federal em 2018 e condenado a 61 anos de prisão, em dezembro do ano passado.

A prisão foi consequência da Operação “Laços de Família”, que investigou integrantes da família Molina, de comandarem esquemas de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Investigações apontam que Silvio era o chefe da quadrilha e, no esquema, ainda estariam envolvidos empresários, caminhoneiros, policiais e servidores públicos da região de Mundo Novo.

Grandes carregamentos de drogas teriam sido remetidos a diversos pontos do território nacional, em especial na região Nordeste. Foram detectados ainda atos de dissimulação de origem e de ocultação de propriedade de bens, valores e direitos. 

O gosto pela ostentação foi um dos pontos que mais chamou a atenção da equipe policial, na época. Jefferson Molina, filho de Silvio Molina, já falecido, circulava em veículos de luxo de marcas famosas como Ferrari, Mercedes Benz, Land Rover e Dodge Ram, além de desfrutar de um padrão de vida incompatível, que se traduzia em viagens internacionais, hotéis 5 estrelas e festas caras.

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