Delegada destaca confiança das mulheres, mas vê avanço do risco de morte: "maior desafio"
Campo Grande alcançou, em 2025, o maior número de denúncias de violência contra a mulher dos últimos dez anos
Campo Grande registrou em 2025 o maior número de casos de violência doméstica já contabilizado: 7.218 denúncias, superando o recorde anterior. Para a delegada da Polícia Civil Eugênia Villa, referência nacional no tema, o aumento revela maior confiança das mulheres nas instituições, mas também expõe a gravidade da situação.

Em entrevista ao Bom Dia MS nesta quarta-feira (10), a delegada disse que, embora mais vítimas estejam procurando ajuda, a subnotificação ainda é grande. “Quarenta por cento das mulheres não reagem mesmo diante de agressões graves. Muitas das vítimas de feminicídio nunca nos procuraram”, afirmou.
Durante anos, de acordo com a especialista, a subnotificação foi uma barreira para dimensionar o problema. Por isso, números maiores podem indicar que as mulheres estão rompendo o silêncio. No entanto, para a a delegada, isso não diminui a gravidade do volume de casos.
“Nosso dever é evitar que a violência chegue ao extremo, evitar o feminicídio.”
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Subnotificação ainda preocupa
Apesar do recorde, muitas vítimas ainda não conseguem buscar ajuda. A delegada lembra que, segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 40% das mulheres não tomam nenhuma atitude mesmo diante de agressões graves. E esse silêncio pode custar vidas.
“A maior parte das mulheres assassinadas não nos procurou. Ainda pode haver subnotificação, sim”, afirma.
Perfil das vítimas
O recorte etário das denúncias mostra que a maioria das vítimas está entre 30 e 59 anos, faixa que, segundo a especialista, reflete a realidade nacional. São mulheres que já estabilizaram suas vidas e geralmente têm filhos e o impacto sobre eles é devastador.
“Temos uma média de duas crianças órfãs por feminicídio no Brasil. Multiplique o número de mulheres assassinadas por dois para entender o tamanho da tragédia”, destaca.
Ela também alerta para um fenômeno crescente em algumas regiões do país: o rejuvenescimento do feminicídio, principalmente envolvendo o crime organizado, que tem vitimado meninas muito jovens.
A importância da sociedade no combate à violência
Um dos maiores desafios, segundo a delegada, é romper a ideia cultural de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Casos recentes no estado envolvem crimes cometidos na presença de crianças, o que demonstra a urgência de intervenção.
“Nós só ficamos sabendo da violência quando a mulher é assassinada, porque vizinhos e familiares relatam um histórico que nunca foi denunciado”, lamenta.
Para ela, vizinhos, amigos e parentes precisam participar ativamente da proteção: “As denúncias podem ser anônimas. O casal entra no nosso radar e podemos agir.”
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