Depois de contar sobre morte de garagista, Jamaica desapareceu de MS

O nome de Kelison foi um dos primeiros descobertos pela investigação e por isso ele teve a prisão preventiva decretada em fevereiro do ano passado

Depois de contar tudo o que sabia sobre a morte de Carlos Reis de Medeiros de Jesus, de 52 anos – o garagista que foi executado em fevereiro do ano passado – Kelison Kauan da Silva fugiu e agora é novamente procurado pela justiça de Mato Grosso do Sul. A prisão do suspeito foi decretada nessa terça-feira (7), durante a primeira audiência sobre o caso no Fórum de Campo Grande.

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Jamaica ao ser preso no Paraguai (Foto: Canal Aberto)

Conhecido como Jamaica, Kelison foi identificado pela polícia como o homem que limpou o ferro-velho em que tudo aconteceu depois da execução. Imagens de câmeras de segurança recuperadas pela DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio), mostram exatamente isso: o suspeito lavando o chão de uma cozinha, local em que Carlos foi esquartejado.

O nome de Kelison foi um dos primeiros descobertos pela investigação e por isso ele teve a prisão temporária decretada em fevereiro do ano passado. Depois de dias na cadeia, sem dizer nada, ele foi liberado e fugiu do país, mas não foi muito longo. No mês de agosto, acabou preso em Pedro Juan Caballero por tráfico de drogas e acabou entregue a Polícia Civil brasileira.

Assim que a delegacia especializada soube, foi até o município a 295 quilômetros da Capital para buscar Kelison. De volta e acompanhado de um defensor público, ele contou detalhes do crime, que afirma não ter participado, mas visto acompanhado de perto.

Nessa época, a confissão ajudou Jamaica voltar para a rua. Mas assim que foi solto, ele desapareceu. Desde então, todas as tentativas feitas pela justiça para encontrar ele foram inúteis. Agora, com o início das audiências, momento em que testemunhas e acusados são ouvidos pelo juiz, sua prisão foi novamente decretada.

Além de Kelison Kauan, o mandante do crime, Thiago Gabriel Martins da Silva, o “Especialista”, está foragido. A principal suspeita é que ele tenha saído do país, mas continue atuando no mundo do crime, desta vez, com tráfico de drogas.

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O crime

Carlos Reis foi visto pela última vez no dia 30 de novembro de 2021. Segundo investigações, ele saiu de casa por volta das 7h para trabalhar e nunca mais foi visto.

Após meses de investigação, a polícia descobriu que Carlos, o garagista, foi assassinado depois de marcar um encontro com Thiago na oficina dele para falar de agiotagem, o suspeito devia um valor alto para a vítima.

A DEH acredita que a emboscada estaria pronta, já que Carlos chegou no local, estacionou a caminhonete e, sem saber, foi para os fundos do espaço onde quatro homens o esperavam. Uma discussão tomou conta do ambiente e alguém teria atirado três vezes contra Carlos.

Após o ocorrido, um dos envolvidos teria pegado o carro do garagista e usado no transporte para ocultação do cadáver, que foi esquartejado, segundo a polícia.

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Garagista desapareceu em novembro de 2021 (Foto: Arquivo)

Relação antiga

Carlos se intitulava como empresário e era conhecido como agiota. Thiago era um dos clientes do garagista, conforme a investigação.

Antes de Thiago ser parceiro de Carlos, o pai do suspeito, José Venceslau Alves da Silva, era quem ajudava o garagista no negócio. Em áudio obtido pela polícia, Carlos afirmava ter utilizado dinheiro de José Venceslau para ampliar os negócios de agiotagem. Foi então que, após responder por homicídio, Thiago teria investido na tentativa de recuperar o dinheiro que “pertencia ao pai”.

Ao que apontou os investigadores, Carlos teria utilizado o dinheiro de José Venceslau sem saber o paradeiro. Com isso, Thiago apresentou Vitor Hugo de Oliveira Afonso para o garagista.

A intenção do autor do crime era que Vitor se tornasse um ouvinte e observador da rotina de Carlos. Inclusive, Vitor chegou a morar na casa do garagista. A relação deles progrediu e, tempos depois, Vitor se tornou assistente pessoal do garagista, sabendo de toda sua rotina e detalhes dos empréstimos de dinheiro à juros.

Com isso, Thiago era informado sobre tudo que acontecia na vida de Carlos. A ideia era saber qual o rumo que o dinheiro de José Venceslau teria tomado nas mãos do garagista. Vitor Hugo é o único dos três que está preso pelo crime.

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