Desaparecidos: drogas motivaram 1/3 dos "sumiços" em 2022

Primeira Página foi atrás de entender casos de pessoas desaparecidas, em MS

De um lado, familiares e amigos vivendo a angústia de se buscar “no escuro” informações que possam ajudar a diminuir o desespero pela procura por alguém desaparecido. Do outro, policiais que lutam para desvendar os enigmas por trás do sumiço de quem, na maioria das vezes, sai de casa para trabalhar, ou ir às compras, e não retorna para o conforto do lar.

Fachada da Cepol, onde funciona uma das delegacias que investiga casos de desaparecidos (Foto: g1 MS)
Fachada da Cepol, onde funciona uma das delegacias que investiga casos de desaparecidos (Foto: g1 MS)

Enquanto o quebra-cabeças vai ganhando forma, muitas vezes em meio a investigações que podem durar longos períodos, é preciso ainda desvendar os mistérios entorno da peça principal: o desaparecido.

Como entender o que pode ter acontecido com quem, do dia para noite, entra para as estatísticas e passa a fazer parte de um colossal grupo de pessoas desaparecidas? Existe um “perfil” de desaparecidos?

Só no primeiro quadrimestre de 2022, 164 casos de pessoas desaparecidas foram registrados pela DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio), uma das especializadas que investiga diferentes tipos de sumiços.

Do ponto de vista policial, logo que um caso de pessoa desaparecida é registrado, uma nova investigação tem início. Sequestro… envolvimento com o mundo do crime… depressão. Tudo é levado em consideração na hora de apurar um sumiço.

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Porém, números mostram que a maior parte dos desaparecimentos notificados à polícia é ocasionada por abuso de ilícitos. “O contexto mais frequente é o abuso de drogas, são 56 casos dos 164”, destaca o titular da DEH, Carlos Delano.

“Em grande parte dos casos, os familiares sabem que devido a características pessoais, ou estilo de vida adotado, a pessoa tem maior probabilidade de ausentar-se, voluntariamente ou não, das suas atividades cotidianas, e acabam ficando mais atentas e comunicando o desaparecimento à polícia com mais agilidade”, ressalta o titular da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio), Carlos Delano.

E entre os “perfis” de desaparecidos de janeiro a abril deste ano, 130 são de homens. Os outros 34 são mulheres. Quase todas as pessoas que sumiram voltaram para casa, apenas cinco foram encontradas sem vida.

Ainda sobre as investigações que permitem finais felizes, Delano afirma ainda, que, inicialmente, também se faz necessário “compreender quem é aquela pessoa, quais são seus hábitos diários, por onde ela costuma passar, em que que horários, que locais costuma frequentar, se é uma pessoa violenta, se tem histórico de envolvimento criminal, se tem muitos credores ou devedores, como se porta corriqueiramente, etc”.

São essas informações que auxiliam os investigadores a traçar um perfil do desaparecido e projetar, de acordo com sua personalidade, o que esperar dela. “Isso é importante para levantar hipóteses sobre o que pode ter acontecido com a pessoa”.

Delegado Carlos Delano
Delegado Carlos Delano (Foto: TV Morena)
  • E os próximos passos… existe uma “regra” ou lógica que a DEH segue para apurar um desaparecimento?

Delano: Há situações que ocorrem com mais frequência que outras, mas mesmo assim um caso novo nunca pode ser analisado com limitações para o levantamento de hipóteses, pois a vida real já provou a ocorrência de fatos que a ficção não seria capaz de conceber. Assim, não há lógica ou regra. O trabalho é metódico e parte de circunstâncias conhecidas para o esclarecimento de circunstâncias não conhecidas. Não há mágica.

  • Quais os sinais que indicam quando uma pessoa desaparecida pode estar em perigo?

Delano: Não se pode saber de plano. A certeza que a pessoa está em segurança só se tem quando se está na presença dela. Contudo quando se apura o desaparecimento de uma pessoa de 40 anos, que mora sozinha, tem histórico de abuso de drogas e já tem três notificações de desaparecimento, por exemplo, não se tem a mesma urgência da apuração do caso de uma pessoa de 18 anos que não tem o costume de sair sozinha e, ao ir ao marcado, não retorna por dois ou três dias. As circunstâncias de cada caso permitem avaliar o risco.

  • O que a família deve observar em casos de pessoas desaparecidas?

Delano: A família em que os integrantes têm cuidados básicos uns com os outros reduzem muito a chance de vitimização em diversos crimes. O desaparecimento é uma situação de grande interesse à polícia porque é potencialmente um crime também porque é relevante garantir que os cidadãos estejam em segurança, entre seus amigos e familiares. Assim, ativação de aplicativos de compartilhamento de localização em tempo real em telefones celulares e outros dispositivos, entre outras medidas, permite que haja monitoramento recíproco entre familiares e amigos e ajuda muito em casos de desaparecimento.

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