"Dias de apanhar": monitor da violência revela padrão assustador nas agressões contra mulheres

Juiz revelou também que fatores influenciam no aumento da violência doméstica, como folga do agressor, calor e álcool

Os fins de semana são considerados o período mais crítico para casos de violência doméstica em Mato Grosso do Sul. Dados do painel de monitoramento da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) indicam que sábado e domingo concentram o maior número de pedidos de ajuda feitos por mulheres vítimas de agressão.

feminicídio A vítima já possui medida protetiva contra o suspeito que segundo ela, a ameaça com frequência. (Foto: EBC)
Simulação de violência contra mulheres. (Foto: EBC)

Nesta segunda-feira (9), o Primeira Página trouxe material mostrando que o fim de semana em que foi celebrado o Dia Internacional da Mulher, no domingo (8), foi marcado por casos de violência que chocaram MS: ao menos três feminicídios foram confirmados no estado e outra morte passou a levantar suspeitas após relatos de agressões, ampliando o alerta sobre a violência contra mulheres.

De acordo com o levantamento histórico da última década, 9.706 ligações de emergência foram registradas aos domingos e 8.449 aos sábados, números que colocam esses dias como os mais críticos da semana para ocorrências de violência contra a mulher.

A análise coincide com a avaliação do juiz Luciano Pedro Beladelli, da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). O magistrado esteve no Workshop Cultura de Respeito, promovido pela Rede Matogrossense de Comunicação (RMC) nesta segunda-feira (9).

Segundo Beladelli, finais de semana e feriados prolongados costumam registrar aumento nos crimes ligados à violência doméstica, como ameaça, lesão corporal, injúria e difamação, além dos casos mais graves, como feminicídios.

“De fato, finais de semana e feriados prolongados têm uma maior intensidade de casos. Há mais pedidos de medidas protetivas e mais registros de ocorrência relacionados à violência doméstica”, explica.

Folga, calor e álcool contribuem para violência doméstica

Na avaliação do juiz, alguns fatores ajudam a explicar por que esses episódios se intensificam nesse período. Um deles é a mudança na rotina das pessoas.

“Durante a semana as pessoas estão no trabalho e nas atividades rotineiras. No fim de semana, elas estão em casa, de folga, convivendo mais tempo no ambiente familiar”, afirma.

Outro ponto citado pelo magistrado é o consumo de bebida alcoólica, que aparece com frequência nos relatos de ocorrências.

“Muitos agressores dizem que estavam muito alcoolizados e que não se lembram do que fizeram. Esse consumo exagerado acaba, muitas vezes, culminando em violência doméstica”, relata.

Além disso, períodos de calor também podem contribuir para o aumento das ocorrências, segundo a experiência do juiz em diferentes comarcas do estado. Em dias mais frios, observa-se uma leve redução nos registros.

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Feriados também registram aumento de ocorrências

Os dados da Sejusp também reforçam a relação entre períodos de folga e crescimento da violência. O painel aponta que feriados e datas facultativas costumam registrar picos de atendimentos de emergência.

Um exemplo ocorreu em 2022, quando, apenas nos meses de julho e agosto, foram registrados 3.270 atendimentos de emergência para mulheres vítimas de violência doméstica no estado.

campanha feminicidios
Campanha “Homem de verdade respeita, ponto final” (Arte: TV Morena)

Educação é caminho para prevenção

Para o juiz, além da atuação do sistema de justiça, a educação é fundamental para reduzir os casos de violência doméstica.

Ele destaca que programas voltados à conscientização e reeducação de agressores podem ajudar a evitar novas ocorrências.

“A educação é base de tudo. Trabalhar informação e orientação é essencial para que essas pessoas compreendam a gravidade da violência doméstica e não reincidam”, afirma.

O magistrado também lembra que, embora a maioria dos casos tenha homens como autores, a legislação prevê medidas de responsabilização e reeducação para qualquer agressor dentro do contexto de violência doméstica.

Enquanto isso, os dados reforçam um alerta: nos momentos em que deveriam ser de descanso e convivência familiar, os fins de semana ainda concentram os maiores índices de violência contra mulheres no estado.

 7 feminicídios em MS em 2026

Mato Grosso do Sul chegou aos preocupantes 7 casos de feminicídios registrados em 2026. O último registro de violência contra a mulher onde vítima acabou perdendo a vida aconteceu em Paranhos. Ereni Benites, de 44 anos, morreu carbonizada em incêndio. O crime teria sido praticado pelo ex-companheiro, que havia se separado há 4 anos. Após o ocorrido, ele chegou a comemorar o feminicídio.

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Confira quem são as mulheres que tiveram suas vidas tiradas:

  1. Josefa dos Santos – 44 anos – assassinada em 16/01 na cidade de Bela Vista
  2. Rosana Candia Ohara – 62 anos – assassinada em 24/01 na cidade de Corumbá
  3. Nilza de Almeida Lima – 50 anos – assassinada em 22/02 na cidade de Coxim
  4. Beatriz Benevides – 18 anos – assassinada em 25/02 na cidade de Três Lagoas
  5. Liliane de Souza Bonfim Duarte – 51 anos – atacada em 03/03 em Ponta Porã e morreu em 06/03
  6. Leise Aparecida Cruz, de 41 anos – assassinada em 06/03 em Anastácio
  7. Ereni Benites – 44 anos – assassinada em incêndio em 08/03 em Paranhos
Selo Basta
Basta, campanha contra violência doméstica e feminicídio do Primeira Página

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