DNA em bituca de cigarro desvendou feminicídio na UFMT e ligou suspeito a outros crimes, diz delegado
Bituca de cigarro encontrada na cena do crime levou a Polícia Civil a desvendar o assassinato de Solange Aparecida Sobrinho, 52 anos, e a conectar o suspeito a ataques entre 2020 e 2022
A perícia genética foi a arma decisiva para desvendar uma sequência de crimes hediondos contra mulheres em Mato Grosso e prender o suspeito de ser o autor. Reyvan da Silva Carvalho, preso na última sexta-feira (29) dentro do campus da Universidade Federal de MT (UFMT), é suspeito de uma série de estupros e do feminicídio de Solange Aparecida Sobrinho, 52 anos, encontrada morta em um galpão da universidade.

De acordo com o delegado responsável pela investigação do crime, Bruno Abreu, o elo que desfez o mistério foi uma bituca de cigarro deixada para trás no local do crime. O DNA encontrado nela e em vestígios da vítima bateu com um perfil já cadastrado no banco de dados do Estado, escancarando o histórico do homem.
A mesma assinatura genética foi ligada a pelo menos três outros casos violentos: um feminicídio no Parque Ohara e estupros nos bairros Tijucal e Jardim Leblon, todos entre 2020 e 2022.
“A investigação revela um padrão de brutalidade incomum. Em um dos episódios de 2020, o criminoso não apenas estuprou e esfaqueou uma vítima, como voltou ao local para agredi-la sexualmente novamente. A reincidência imediata, considerada rara, demonstrou extrema frieza”, afirmou o delegado em entrevista a TV Centro América.
As vítimas, segundo a polícia, eram intencionalmente selecionadas por sua vulnerabilidade, incluindo uma mulher grávida e outra com esquizofrenia.
Reyvan, que não trabalhava e usava drogas, vivia perambulando por regiões da Grande Cuiabá com o suposto objetivo de encontrar vítimas.

O inquérito está em fase final, e ele será indiciado por feminicídio e estupro. A polícia não descarta a hipótese de atuar como um serial killer e investiga a possibilidade de existirem mais vítimas, já que a Politec revisa casos não solucionados com características similares. A prisão encerra a caça a um suspeito que aterrorizou a região, mas expõe um rastro de violência meticulosamente traçado pela ciência.
Um rastro de violência
A investigação mostra que o agressor seguiu um padrão de ataque ao longo dos anos, sempre em regiões próximas, com vítimas mulheres. A confirmação só foi possível porque, após a morte de Solange, o DNA coletado foi incluído no banco de perfis genéticos.
Até então, a Polícia Civil havia trabalhado com seis suspeitos, mas todos foram descartados. Com a nova análise, ficou evidente que os crimes tinham um mesmo autor, agora formalmente identificado pela perícia.
Os laudos foram entregues à Polícia Civil, que deve reforçar as acusações e aprofundar as investigações.
O caso Solange
Solange foi vista por câmeras de segurança circulando sozinha pelo campus da universidade no dia 23 de julho, por volta das 15h20, poucas horas antes de desaparecer. No dia seguinte, agentes de vigilância patrimonial da UFMT encontraram o corpo da vítima em um galpão abandonado, fora da área de circulação acadêmica.
Equipes da Polícia Militar, Politec e Samu foram acionadas. A perícia confirmou a morte e encaminhou o corpo ao Instituto Médico Legal (IML). De acordo com laudos preliminares, a vítima era portadora de esquizofrenia.
O delegado Bruno Abreu explicou que as imagens de monitoramento e os laudos técnicos foram cruciais para identificar o suspeito. “Estamos investigando os últimos passos da vítima. O caso corre em sigilo para não comprometer as diligências”, destacou.
A UFMT, em nota, reforçou que o local onde o corpo foi encontrado estava desativado e sem uso acadêmico, e que Solange não tinha qualquer vínculo com a instituição.
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