Dona de creche de Naviraí é indiciada pela tortura de bebês e crianças

Conforme os relatos, Caroline Reis Rech, puxava os cabelos das crianças e chegava a esfregar roupas sujas de fezes no rosto delas

A dona da creche de Naviraí, onde bebês e crianças foram torturados, a 342 quilômetros de Campo Grande foi indiciada pela Polícia Civil. Caroline Reis Rech, de 30 anos, vai responder pelos crimes de tortura, maus tratos e exposição da vida ou saúde de outrem a perigo direito ou iminente. Outra cuidadora vai responder por omissão.

creche navirai
Crianças eram dispostas em colchões (Foto: Canal Aberto)

Investigações da Polícia Civil apontaram que a “Tia Carol” cobrava R$ 280,00 por criança para atender em uma casa sem alvará e sem fins educacionais. No local, ela agredia os menores física e psicologicamente.

As torturas

Conforme os depoimentos de testemunhas, Carol agredia os bebês e as crianças com tapas pelo corpo, pescoço, rosto, beliscões e puxões de cabelo e quando os pais perguntavam ela dizia que as agressões tinham sido feitas por outra criança ou algum acidente doméstico.

Em um dos casos, ela teria esfregado a calcinha suja de fezes no rosto da vítima, de seis anos, portadora do espectro autista, a fim de puni-la por defecar e doutriná-la conforme seu método. A criança relatou que Carol ainda mandou que ela ainda comesse as fezes, mas a ela se negou.

Outro relato aponta que uma criança de três anos teria vomitado durante uma refeição e a proprietária teria esfregado o prato com o vômito no rosto da criança.

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Propaganda da creche (Forto: Reprodução)

Há ainda, relatos de que crianças faziam xixi na roupa, e eram colocadas em situação vexatória porque a proprietária obrigava as outras crianças a fazerem roda, bater palmas e os chamarem de ‘mijões’, além disso ameaçava de cortar o órgão genital das crianças caso voltassem a fazer xixi em seu colchão.Outra criança teve a roupa molhada de xixi esfregada no rosto como forma de castigo.

Após o início das investigações, uma mãe perguntou ao filho porque ele nunca havia contado sobre as agressões. Ele respondeu que não falou porque a proprietária o ameaçou, dizendo que caso ele falasse, iria colocá-lo de castigo, deixando-o ajoelhado até os joelhos sangrarem.

Câmeras escondidas

A prisão de Carol ocorreu após a Polícia Civil instalar câmeras de segurança no local. Nas primeiras horas de monitoramento, foram captadas imagens de agressões físicas contra um bebê de onze meses, que é puxado pelos cabelos.

Outra imagem mostrou uma cuidadora colocando um travesseiro sobre o rosto da bebê, antes de colocá-lo embaixo da cabeça da menina, para em seguida dar-lhe medicamento para dormir.Testemunhas disseram que a mulher também colocava pano para tapar a boca do bebê.

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Local funcionava de forma irregular (Foto: Canal Aberto)

Ex-funcionárias disseram que chegaram a falar sobre as agressões para alguns pais, mas eles não acreditaram. Elas não denunciaram porque não tinham imagens. Isto porque o uso de celular no local era restrito.

Uma delas contou que Carol gritava muito com as crianças, negava alimentos, deixava muito de castigo e não deixava brincar, servia comida apenas na hora de tirar as fotos, e depois que tirava as fotos para enviar para os pais, ninguém mais podia repetir a comida.

Além das funcionárias, 8 crianças vítimas da agressora foram ouvidas por meio do depoimento especial.

Remédios para dormir

As crianças também eram medicadas para dormirem o tempo em que estivessem no local. Algumas mães apresentaram à polícia filmagens onde os filhos aparecem em estado de sonolência induzida.

O laudo pericial confirmou que um bebê tinha ingerido o medicamento. Ele é contraindicado para menores de 2 anos e a superdosagem pode levar até ao coma.

As investigações sobre o caso continuam porque algumas crianças que foram citadas como vítimas, ainda não foram identificadas.

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