Doralice da Silva: a 16ª vida interrompida pelo feminicídio em MS

Doralice retornou para casa após encontro com amigos e teve a vida brutalmente interrompida pelo ex, Edemar Santos, que não aceitava o fim do relacionamento

Na noite de 20 de junho de 2025, Doralice da Silva, de 42 anos, saiu de casa como tantas outras mulheres saem: para se divertir, rir e compartilhar momentos com amigos. Estava em um bar de Maracaju e parecia feliz. Quem a viu naquela noite disse que ela estava tranquila, aproveitando a companhia de pessoas queridas. Não sabia, porém, que seria sua última noite.

Doralice da Silva foi vítima de feminicídio, em Maracaju (Foto: Redes sociais)
Doralice da Silva foi vítima de feminicídio, em Maracaju (Foto: Redes sociais)

Horas depois, Doralice retornaria para casa e teria a vida brutalmente interrompida pelo ex-companheiro, Edemar Santos, que não aceitava o fim do relacionamento. Cego pela obsessão e pelo ciúme, a fúria dele transformou a casa que antes fora lar em cenário de violência e morte.

Nesta série de reportagens, que traz um memorial das vítimas de feminicídio, o Primeira Página relembra o caso de Doralice, que teve a vida tirada pelas mãos do ex-companheiro, Edemar.

Crime bárbaro

Segundo a investigação, Doralice chegou em casa acompanhada de um amigo. A presença de outra pessoa bastou para despertar em Edemar um ódio incontido. Eles discutiram. Ele a agrediu com um soco. 

Em seguida, vieram as facadas, oito ao todo, a maioria no pescoço. Cada golpe não apenas feriu o corpo de Doralice, mas também mais uma página da dolorosa estatística do feminicídio em Mato Grosso do Sul.

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Perícia e funerária no local do crime (Foto: Polícia Civil de MS)

Edemar tentou se livrar das provas. Limpou o sangue, escondeu as roupas, fugiu. Mas a violência não se apaga com panos de chão, nem com portas trancadas. Pouco tempo depois, ele confessaria o crime.

“Ela pediu que ele saísse da casa. Ele perguntou se ficaria com o outro homem. Ela respondeu que sim. Então, ele a golpeou e, em seguida, desferiu as facadas”, relatou o delegado Pedro Paiva.

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A dor que fica

Dois meses se passaram desde o crime. O acusado segue preso, aguardando julgamento. Foram ouvidas sete testemunhas, incluindo pessoas que estavam no bar com Doralice naquela noite.

As imagens de câmeras de segurança confirmaram sua saída acompanhada de um conhecido. Esse homem, no entanto, não participou do crime — deixou o local antes que os gritos e a violência preenchessem o silêncio da casa.

Doralice deixou para trás filhos, familiares, amigos. Deixou uma vida que, como a de tantas outras mulheres, foi interrompida não pelo destino, mas por uma escolha cruel: a do homem que não aceitou vê-la livre.

Uma entre tantas, mas única

Com sua morte, Doralice se tornou a 16ª vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul em 2025, estado que já soma 23 crimes. O estado, que já liderou rankings nacionais de violência contra a mulher, segue carregando números que revelam mais do que estatísticas, revelam histórias de vida cortadas abruptamente.

Doralice era mais que um número. Era mãe, filha, amiga, mulher em busca de felicidade. Como tantas outras, tinha sonhos que agora não terão continuidade.

Caminho para denúncia

🚨 Denuncie a violência contra a mulher

Violência doméstica — seja psicológica, física, moral ou verbal — é crime e precisa ser combatida. Saiba como denunciar:

Emergência: se a agressão estiver acontecendo, ligue 190 imediatamente;

Central de denúncias: disque 180. O atendimento é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia, todos os dias. Também é possível denunciar via WhatsApp: (61) 9610-0180;

Presencial: procure a delegacia mais próxima ou acione a Polícia Militar pelo 190;

Em Mato Grosso do Sul as denúncias de violência de gênero podem ser feitas de maneira on-line.

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Selo Basta
Basta, campanha contra violência doméstica e feminicídio do Primeira Página

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